Janaina Rico

Crônica 50 - Divórcio

No começo eram duas pessoas enamoradas, que se conheceram em uma situação qualquer da vida e perceberam que não poderiam ficar mais nenhum segundo longe um do outro.

O tempo passou. Casaram, tiveram uma vida juntos: filhos, contas, alegrias, tristezas e, quem sabe, até netos. A vida que todo mundo sonha em construir. Quando era para estar tudo bem e usufruírem das coisas que lutaram para ter, as brigas começaram e eles jogaram tudo por água abaixo.

Não se suportavam mais, um não respeitava mais o outro, a convivência estava impossível, e o pior aconteceu: acabaram se separando.

Essa é a realidade de muitos casais, infelizmente. A intolerância faz com que o relacionamento, que parecia que era para a vida toda, acabe. Ok. Ninguém tem culpa. Ou melhor, os dois têm culpa, porque quando um não quer, dois não brigam, e a vida tem que continuar.

Mas é aí que surge a minha dúvida. Não consigo entender como pessoas que se amaram, que fizeram planos, que sonharam juntos, passem a se odiar. Eu penso que na hora em que se separaram, assim o fizeram justamente para que parassem de brigar. Afinal de contas, o mundo não se resume ao relacionamento, e com certeza outros assuntos em comum vão continuar existindo na vida de dois seres que partilharam da intimidade.

Pessoas que foram casadas por 10, 20, 30 anos, de repente param de se falar e se tratam como se fossem os piores inimigos um do outro. Não sou capaz de compreender. Pais se afastando de filhos por conta de brigas com os seus ex-parceiros, disputas por bens que foram comprados juntos, xingamentos e agressões fora de hora dão as caras.

Na minha modesta opinião, as pessoas que se comportam assim são aquelas que se separam ainda amando. Os que criam ódio do antigo parceiro são aqueles que na verdade ainda os amam e se culpam muito, mas muito mesmo, pelo relacionamento que acabou.
Eu conheço um casal que esteve junto por lindos anos. Tiveram filhos, netos, construíram uma casa maravilhosa e poderiam estar juntos até hoje se tivessem tido bom senso e jogo de cintura. Mas as birras falaram mais alto e eles não souberam conviver com um problema que nunca tinha existido na vida deles: a falta de dinheiro.

Para piorar, o ex-marido arrumou uma mulherzinha (ele ainda estava casado, naquela fase em que não se tem certeza se vai ficar junto ou não, e a dita-cuja arrumou uma barriga) que não ajudou em nada. Muito pelo contrário, bota lenha na fogueira. Proibiu (eu não sabia que ainda tinha homem bobo desse tanto) o pai de visitar os filhos para que ele não visse a ex-mulher! Eu nunca tinha visto tanto absurdo.

A ex-mulher chora. Não entende como um homem que foi seu grande amor pode sentir tanto ódio no coração, sem motivo real. Apenas por brigas bobas e que todo casal pode ter.

E tudo isso para quê? E tudo isso por quê? No final das contas os dois sofrem. Ninguém está feliz, por que toda essa distância só demonstra o tanto que dói ver o seu castelo de sonhos desmontado e um ódio irracional dominando os corações de antigos amantes.

 

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