Janaina Rico

Crônica 61 - Ele cresceu

Pela primeira vez passei o reveillon longe do meu filho. Ele, prestes a fazer 16 anos, decidiu que a maneira correta de ter a sua virada de ano era em Recife e assim foi, deixando-me de coração partido, sentindo como se estivesse faltando uma parte de mim.

Claro que dei um jeito de falar com ele à meia-noite, claro que passei um WatsApp, claro que mandei foto pelo Instagram (e solicitei a dele) e claro que logo depois da meia-noite corri para o facebook e fiquei esperando até que ele conversasse um pouco comigo e acalmasse a minha saudade. Mas, fisicamente, ele estava lá, longe de mim.

Pode parecer dramático, mas acredito que é uma preparação para o futuro. Filhos são do mundo, já dizia muito sabiamente a minha vó. A melhor coisa que uma mãe pode fazer é preparar o seu herdeiro para enfrentar o que vem pela frente da maneira mais inteligente que ele puder, e rezar. Rezar muito. Porque a vida vai se encarregar de dar os calos, apertos e arrochos que dá, sem dó nem piedade, como deve ser.

Tudo bem, foi o primeiro reveillon longe de mim, assim como alguns meses atrás ele foi para a sua primeira balada, e daqui alguns meses enfrentará novamente alguma estreia na sua existência. E eu, mãe, fico aqui, meio boba, meio orgulhosa, meio receosa, meio feliz, sem entender como, matematicamente falando, meus sentimentos possam ter tantos meios.

Só quero, no futuro, ter a consciência tranquila de que dei todas as oportunidades de crescimento que meu filho poderia ter. Não fui uma mãe egoísta que o prendeu dentro de casa por insegurança ou fez tudo sempre por ele por egoísmo. Quero ter paz de espírito de perceber que deixei meu filho crescer, seguir o seu caminho e assim ser dono do seu próprio nariz.

Tudo bem que foi sem graça a minha virada de ano sem ele, e que certamente no ano que vem tentarei negociar a sua presença, pois é sempre mais legal fazer uma festa com a família completa. Mas percebi que um ritual de passagem foi feito. Talvez, agora, ele tenha se tornado um pouco mais adulto do que no ano passado, quando eu mesma fui lá e coloquei lentilhas no seu prato. Mas, talvez, exatamente por ter sido ele quem se serviu, a riqueza prometida pelos grãos possa chegar na sua vida adulta.

 

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