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Passei anos da minha vida tentando compreender essa coisa chamada “amor-próprio”. Parecia um bicho de sete cabeças, algo completamente inatingível, uma boa e velha conversa para boi dormir. 

Seria leviano da minha parte dizer que eu passei a me amar de uma hora para outra. Que em um piscar de olhos passei a me achar a pessoa mais legal e linda do planeta. Velhos hábitos levam algum tempo para saírem de nossas vidas e nem sempre eles conseguem ser extirpados por completo, simplesmente arrancados e deixados de lado (ou melhor, de fora). 

Mas eu consegui mudar os meus padrões e a minha maneira de pensar ao passar a ver as coisas de outra forma. Enxergar o mundo com novas perspectivas e muito mais positivas, para cima e não para baixo. Exemplificarei: meço menos de 1,60m. Não existe força neste planeta capaz de me tornar uma pessoa alta. Eu posso saltar, plantar bananeira, fazer simpatia ou frequentar qualquer terapeuta do mundo, não passarei de uma pessoa com menos de 1,60m. Fiquei por longos anos da minha vida chateada com isso, pensando em “puxa, como eu seria mais feliz se fosse alta!”. Esse pensamento não me trazia absolutamente nada de bom! Eu não teria como mudar a minha estatura e todas as vezes que o pensamento me vinha à cabeça, me fazia triste. 

Até que chegou o dia que eu comecei a prestar atenção nos pontos positivos em ser baixinha. Sempre pareço mais jovem do que realmente sou e as pessoas fazem aquela cara de “nossa, você aparenta bem menos ”quando informo minha idade. Caibo em qualquer lugar que eu queria me enfiar e em shows eu consigo ir me enfiando no meio da multidão até chegar com tranquilidade em um lugar onde eu possa assistir tudo de pertinho. E o melhor: no avião eu estou sempre em uma posição confortável, sem problemas para pegar no sono rapidinho! 

O amor-próprio é isso: aceitar-se e enxergar os pontos positivos em ser exatamente aquilo que você é! Claro que se tem algo que te incomoda e você pode mudar, não pense duas vezes! Mas, se está fora da sua capacidade, aceite-se! Assuma-se! Sinta-se proprietário de si mesmo! 

Pode acreditar, o amor-próprio depende só de você! 

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Têm horas que a gente precisa tomar a decisão de “dar certo na vida”. O mais difícil, na minha modesta opinião, é compreender do que realmente se trata o tal de “dar certo na vida”. Onde é o certo que pretendemos chegar? Porque o errado a gente já está cansado de saber...

Visualizo a vida como um círculo perfeito, partido em vários compartimentos de diferentes tamanhos, que podem ficar mais ou menos preenchidos dependendo do momento e do estágio da sua existência em que você se encontra.

Amor, relacionamentos, finanças, trabalho, saúde, família, amigos... Cada um tem o seu compartimento perfeito, sendo oportuno ou inoportuno a depender de você, das suas escolhas, do seu momento.

Acredito que o “dar certo na vida” é saber equalizar o seu círculo. Dar valor a cada um dos quesitos, tendo em vista aquilo que lhe é mais importante, mais merecedor de destaque, de carinho, de atenção. Compreender que um é visceralmente ligado ao outro, intrínsecos e conexos, e que um não existe sem o outro, mas, felizmente ou infelizmente, pode se tornar mais ou menos importante em horários que nem sempre são os mais apropriados.

O desequilíbrio pode nos tornar exatamente a pessoa “que não deu certo na vida” (prefiro usar esse termo ao invés do infeliz “a pessoa que deu errado na vida”). O grande segredo é o equilíbrio, saber dosar as atenções a cada um dos compartimentos do nosso círculo perfeito, chamado vida!

O engraçado é que falando assim parece tão fácil... É como tentar convencer alguém a respirar ou a beber água. São coisas tão óbvias, tão necessárias, tão intrínsecas ao nosso ser, que, observando friamente, não parece nem fazer sentido ter que falar sobre isso. O problema é que na maior parte do tempo nos esquecemos do óbvio e nosso círculo, cheio de seus compartimentos, pode ficar desequilibrado, nos deixando longe do objetivo a ser alcançado, ou seja, ser aquela pessoa “que deu certo na vida”.

Organizar as ideias, os campos, as necessidades... Tem hora que a gente precisa tomar a decisão de “dar certo na vida”.

E tem hora que a gente já deu certo na vida e nem percebe. 

Mas aí já é outra história...

 

 

 

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Caetano Veloso já falou por aí que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Para mim, essa é uma das frases mais geniais de todos os tempos. O pensamento tão sábio pode ser traduzido em bom português para “cada um sabe o seu calo aperta”. Só eu sei calcular o tamanho do meu sofrimento, da minha angústia, da minha alegria e da minha felicidade. Até onde eu sei não existe máquina capaz de medir sentimentos.

Algumas pessoas me irritam profundamente com aquela de mania de dizer “eu sei o que você está sentindo...”. Olha, me desculpa, mas não sabe não. Os pepinos variam dependendo da vida que você leva. O meu problema financeiro ou o meu problema de saúde é só meu. O seu é só seu. O que pode existir é uma troca de experiências, e uma ajuda de quem já passou por alguma coisa parecida. Mas saber o que o próximo está sentindo, é impossível, porque ninguém consegue entrar no pensamento de outra pessoa.

Muitas vezes eu até que queria ler pensamentos. Seria muito mais fácil de ajudar e de ser ajudada. Mas não dá. Não rola. As coisas não acontecem assim. Esse grupo que diz “sei exatamente o que você está passando” costuma ser o mesmo que diz “eu avisei”... Pior ainda!!!

E o mais engraçado é que só te falam essas coisas quando você está por baixo. É terrível quando você já está numa pior, sabendo que fez uma caca sem tamanho, e chega um infeliz e te fala: “eu falei para você que isso ia acontecer”. A arrogância de gente assim é insuportável! Dá aquela impressão de que estava torcendo contra o tempo inteiro. Gente, pelo amor de Deus, pode até pensar uma coisa dessas, mas não expressa, pelo menos quando for comigo, tá? É de uma crueldade sem fim!

E quando a gente parte para o campo sentimental parece que surge um monte de urubu na hora da tristeza para dizer “eu avisei”, “eu sabia”, “eu já passei por isso”, “eu entendo” e outros correlatos. Faça-me o favor!!! Não sabe, não entende e nunca passou por isso, porque as pessoas envolvidas no seu drama são pessoas diferentes do meu drama, então dá um tempo, tá bom?

Mas, tudo bem. A vida é feita disso mesmo. Só me resta saber que vou continuar escutando essas coisas por mais que me deixem tão contrariada.

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O homem e a mulher se separaram. Depois de quase dez anos juntos, resolveram que não dava mais. Foram descobertas traições e mentiras dos dois lados. E sem a menor vontade de fazer a paz, os dois instalaram a guerra.

Nos primeiros dias é sempre mais difícil para todo mundo. O homem tem que ir atrás de um lugar para ficar. A mulher chora e come chocolate. O filho sofre e pergunta pelo pai. Uma novela igual a que todo mundo já assistiu.

Os dias passam e a raiva vai cedendo um pouquinho. Assuntos de ordem prática devem ser tocados. A mulher liga para o homem dizendo que é necessário fazer compras para a casa, a despensa já está vazia. O homem, achando que aquilo pode ser um sinal de bandeira branca se oferece para irem juntos ao supermercado. A mulher fica irritada, achando que ele ainda quer controlar tudo o que ela vai colocar na geladeira, mas mesmo assim aceita, pois quem sabe depois do mercado, pode surgir um convite para um choppinho e de repente eles fazem as pazes.

Marcam de se encontrar às 19 horas na frente do mercado. Ela vai ao salão e faz as unhas. Ele dá uma arrumada no cabelo e masca um chiclete antes de chegar, para ficar com hálito de hortelã. Os dois se cumprimentam de forma muito sem graça e pegam o carrinho para iniciarem as compras.

Começam pelos artigos de limpeza. Ela vai direto ao sabão em pó que sempre pegou, mas ele questiona na hora o motivo de ele ser tão caro. A mulher suspira e diz que se ele participasse mais das coisas de casa, saberia que é a marca que ela usa há mais de 6 anos, desde que a outra passou a dar alergia no menino. Ele não se convence da explicação, mas resolve não brigar, já que tem esperança de fazer as pazes.

Seguem para a prateleira dos detergentes. Ele se adianta e pega logo um baratinho, com medo de que se repita o acontecido. Mas ela dá um sorriso para ele e explica que aquele que ele pegou resseca a mão, e o retira do carrinho, trocando por outra marca que custa três vezes mais. O homem começa a ficar agoniado, mas ainda assim segue resignado. Ele faz vista grossa aos demais produtos, pensando que realmente não entende nada daquilo . Tem fé de que depois vai melhorar.

Chega a prateleira dos grãos. A mulher nem olha para a cara do homem e pega aquilo que quer. Ele pergunta por que ela vai levar feijão branco, já que ele não gosta. Ela sorri e diz que um dos motivos por que ela se separou foi para fazer feijão branco e que a partir de agora não quer mais saber de feijão preto na sua casa.

Depois vêm os artigos de higiene. A mulher aproveitou para pegar a tinta do cabelo, o creme hidratante dos cabelos e uma máscara para o rosto, sabendo que era melhor passar tudo aquilo no meio das compras, porque ele não ia dar dinheiro para isso de jeito nenhum, agora que estavam separados. O homem já está perdendo a sua paciência e tenta perguntar, com o mínimo de educação, o motivo de ela estar colocando aquelas coisas ali. Ela ignora, mas sorri por dentro.

Quando passam pelos laticínios, o homem já faz contas mentais e imagina o valor daquelas compras. Sabe que nunca gastou tanto em um supermercado, mas em nome de uma possível paz fica ainda calado. A mulher começa a colocar os iogurtes no carrinho e ele conta de 1 até 1000 para não prestar atenção. No momento em que ela percebe que ele está ficando meio verde de nervoso, diz que é o lanche do filho e que ele deixe de ser pão duro, já que gasta com mulher na rua.

Aí ele não aguenta mais. Fica nervoso e os dois começam a discutir. Ele fala que ela gasta muito. Ela fala que ele é um safado. E as mercadorias ficam ali, olhando para eles, envergonhadas do barraco em lugar público. Depois de perceberem o que acabaram de fazer, terminam as compras o mais rápido que podem. Vão para o caixa sem se olhar. E cada um segue para o seu lado.

Ela sai pensando que poderia ter maneirado um pouco, mas ele não precisava ser tão ranzinza. Ele sai pensando que bem que não precisava ter reclamado, mas ela poderia ter ajudado um pouco. E os dois percebem que não tem mais jeito.

 

Na semana seguinte, estabelecem o valor da pensão.

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Sou obrigada a dar o braço a torcer e concordar com os homens: é impossível saber o que as mulheres querem! As que tem cabelo liso querem cachear, as que tem cabelo cacheado querem alisar. A coisa mais difícil do mundo é achar uma dona que esteja satisfeita com aquilo que tem.

Estive prestando atenção nas minhas amigas. As solteiras reclamam da vida até não poder mais. Os homens são safados, só querem saber de sexo e nada de compromisso. Ô raça ruim, que não liga no dia seguinte e nem passa mensagem no celular. Na balada eles atacam qualquer uma e agarram a que der mole primeiro. É uma selva de pedras.

As que namoram vivem no limite da angustia. O namorado não quer compromisso. Vive enrolando e até hoje não perdeu a mania de carregar uma camisinha na carteira. Se ele quer dormir junto todos os dias aí está pegando no pé. Se ele diz que só quer dormir junto de vez em quando, ele não é carinhoso e não dá atenção.

As noivas estão à beira de um ataque de nervos. O cara está demorando para marcar o casamento, ou então mudou o jeito de ser depois que colocou a aliança no dedo. Ele já está querendo mandar no jeito que vai ser a casa, ou então não dá a mínima para as escolhas dela, não demonstrando que se preocupa com o futuro lar. Homem desalmado que, ou se mete demais na decoração da igreja, ou então não dá a menor importância.

Mas, as piores, sem a menor sombra de dúvida, são as casadas. Se o homem quer dormir agarradinho toda noite, elas precisam de espaço, mas se o cara quer dormir no lado dele da cama, aí é porque não gosta mais dela. Se ele quer pagar as contas sozinho é dominador, mas se ele pede para rachar as despesas da casa então é sovina. Quando ele liga dez vezes por dia é ciumento, mas se ele liga uma vez só é indiferente. O casamento é uma fonte de infelicidade.

Acho graça. Até mesmo porque eu sou uma eterna chata, que reclama de tudo. Coitados dos homens. Se nem nós mulheres conseguimos entender as nossas loucas cabeças, quem dirá eles?