TPL_IN

Muitas vezes me pego em meio a questionamentos: por que estou com o Samuel há quase treze anos?  O que me faz querer dormir e acordar todos os dias com o mesmo homem? Por que eu morro de ciúmes dele e mostro os dentes para as assanhadas que se aproximam?  Qual o motivo de eu não querer que ele saia da minha vida nunca?

Bom, as respostas não são óbvias. Muito pelo contrário. Olhando à primeira vista, eu teria milhões de motivos para não estar com ele. Em primeiro lugar, o Samuel é 16 anos mais velho que eu, o que muitas vezes gera uma porção de conflitos de interesses, principalmente em relação à vontade de ter mais filhos e dos planos para o futuro. Em segundo lugar, o Samuel não é nenhum Paulo Zulu. Ele diz que é feio, mas não dá a mínima para isso, já que o Mick Jagger comeu a Luciana Gimenez. Em terceiro lugar, o Samuel vive pendurado no cheque especial e me enche a paciência com o dinheiro que eu gasto no salão de beleza ou com roupas, com uma conversinha muito fiada de que eu não preciso fazer esse tipo de investimento, mas, se eu assim não o fizesse, quem já tinha largado alguém há muito tempo era ele.

Por outro lado, quando eu acordo de manhã com ele me levando uma xícara de café novinho, que ele fez especialmente para me acordar (até mesmo porque ele não toma café quando acorda), levando junto um pãozinho com manteiga na cama só para me dengar, eu me derreto toda. Não existe coisa melhor do que quando eu estou de TPM e ele faz uma massagem nos meus pés, mesmo reclamando que detesta se lambuzar de hidratante. Tem dias que estou com preguiça e ele penteia o meu cabelo, cuidando de mim como se eu fosse a sua bonequinha. O olhar apaixonado que ele me dá quando estou cantando, declamando e/ou dançando, enquanto ele, que é super-tímido, fica sentando, não tem dinheiro no mundo que pague. Ele me carrega no colo quando estou doente e super valoriza as minhas crises de depressão, deixando bem claro que eu sou a coisa mais importante na vida dele, e por mim ele matava e morria. Existe coisa melhor?

Bom, falei tudo isso para dizer que estou pensando em três amigas minhas. Quero que cada uma delas arrume um Samuel para chamar de seu.

Tenho certeza de que se as três pararem de perder tempo com os garotões metidos a besta ou com os caras que, por serem bonitos, se acham o último biscoito do pacote, elas terão infinitas chances de serem felizes. Basta dar uma chance ao cara legal, aquele que geralmente fica largado num cantinho da festa porque as bobas das mulheres estão perdendo tempo com os canalhas.

Mulheres reclamam demais que homem está em falta no mercado. Eu discordo. Acho que se as minhas amigas souberem escolher, em pouco tempo elas terão um Samuel para elas, e eu vou ficar feliz da vida!

 

TPL_IN

Todo mundo me zoa no colégio por duas coisas: escrevo um diário e sou fã do Léo Jaime. Minhas amigas dizem que é impossível saber o quê é pior, mas eu não tô nem aí. Eu bem que poderia me importar, já que ficam o dia todo me perturbando, só que não dou a mínima. 

O lance de escrever você, Diário, começou quando eu tinha sete anos. Eu não tenho irmãos e passo muito tempo sozinha. Sinto falta de alguém para conversar, contar segredos... Quando contei isso para a Mamãe, ela me deu um caderno lindo, com cheiro de morango, e disse que eu poderia escrever e criar uma irmã para mim. Mas eu preferi um irmão. Sempre achei os meninos muito mais legais do que as meninas. Eles não ficam me enchendo o saco por causa das coisas que eu gosto, e quando a gente ia brincar eu preferia um milhão de vezes jogar futebol do que brincar com bonecas. Imaginei que um garoto me entenderia melhor. 

E o Léo Jaime... Bom, também é culpa da minha mãe. Ela ganhou da vovó um aparelho daqueles antigões, que ainda toca aqueles discos gigantes, que existiam antes do CD. Aí um dia (que foi maravilhoso!), Mamãe me chamou para escutar os LPs (nome daquele troço). Colocou um monte de música diferente, e a gente dançava e ela me contou as coisas da vida dela, tipo da primeira vez que ela beijou na boca (eca, minha mãe não pode beijar!), e quando a vovó a deixou ir numa boate e quando ela acampou com as amigas. No meio da conversa, ela pegou o disco do Léo Jaime e colocou para tocar. 

Caramba! Eu me apaixonei. Adorei todas as músicas e assim que pude fui para o google, saber tudo da vida dele. Virei fã, de verdade! Assisto todos os programas de TV que ele participa, sigo no twitter, tenho todos os CDs e tenho uma foto dele no meu quarto. 

As minhas amigas quando vem aqui em casa morrem de rir da minha cara. Dizem que eu tinha que gostar do One Direction. Ah, eu até gosto das músicas deles, e acho que são bonitinhos. Mas ninguém se compara ao Léo Jaime! Só ele soube fazer músicas que parecem que foram feitas para mim... Isso sem contar que o meu ídolo ainda sabe tudo de futebol, que é meu esporte preferido!!! 

E na verdade, eu acho muito legal saber que não preciso dividir meu ídolo com ninguém do colégio. Eu sei que o Léo tem muitas fãs, e vive um monte de mulher exibida falando bobagem para ele na internet (vejo tudo!), mas na minha sala só eu que o amo. As outras lá ficam se matando pelo Caio Castro, e eu sei que o dia que o Léo Jaime me ver, vai se apaixonar por mim, mesmo eu só tendo 13 anos!

Mamãe ri e acha graça. E sempre que ela sabe que estou triste, já sabe o remédio: põe uma música dele para tocar. E, quer saber de uma coisa: EU AMO O LÉO JAIME!

 

TPL_IN

Um dos grandes mistérios da vida é que, por mais evoluídos que sejamos, jamais conseguiremos enxergar o mundo sob a ótica do outro. Literalmente falando. Podemos desconfiar, supor, imaginar... Mas saber exatamente o que está sendo captado na retina alheia, é missão impossível. Então, só me resta perceber o mundo sob o meu ponto de vista. E, para piorar, só posso julgar a mim mesma. 

Volta e meia me pego analisando minhas atitudes e meus pensamentos. Terei eu sido justa e honesta? Meu posicionamento foi coerente com a minha ideologia ou entrei em contradição? Fiz o melhor possível (ah, esse meu passado de escoteira) para mim e para o próximo?

De tempos em tempos, preciso entrar na minha alma e vistoriar cada cantinho da minha existência. Confesso que algumas vezes sinto vergonhas e arrependimentos, mas estranho seria se eu não sentisse. Se eu acreditasse piamente que estou sempre certa e que nada que fiz saiu dos eixos, estagnaria em um lugar muito triste, onde não há crescimento ou evolução. 

É muito ruim errar. Mas é muito bom perceber que não acertei, pois só assim sou capaz de encontrar a pegadinha do Malandro que apliquei em mim mesma e não repeti-la no futuro. Enxergar vários lados de uma mesma moeda me abre possibilidades e me deixa mais consciente do papel que exerço no mundo e qual a minha importância não só na minha vida, mas naquela de quem me rodeia. 

Necessito parar de vez em quando, deixar tudo um pouco de lado, e me colocar em primeiro plano. Ter a sensibilidade de perceber o que realmente estou sentindo, fazendo, dizendo, construindo. Saber ser madura o suficiente para perceber o que se passa no meu corpo e no meu coração, para só assim seguir adiante na caminhada longa, árdua e gostosa chamada vida.

Só assim, depois de fechar para balanço e fazer algumas análises internas, serei forte e segura o suficiente para seguir adiante, me conhecendo e me amando como eu realmente mereço.

TPL_IN

Dava dó de perceber a sua angústia. Nunca sentira muito prazer nessas coisas de conquista, e exatamente por isso sempre que achava um cara que tivesse pelo menos três atrativos já emendava logo um namoro sério, para não ter que sofrer com as emoções de paquerar. 

Depois de sair de um relacionamento muito longo se permitiu novamente amar. Se arrumou, saiu de casa, conheceu alguém, trocaram alguns beijos, e saíram algumas vezes. Não demorou muito para irem às vias de fato, e ela teve certeza que aquele sujeito tinha pelo menos três atrativos e valia a pena investir em namoro. 

Mas até chegar lá teria que viver aquele tormento. Pode telefonar? Não pode telefonar? Passa e-mail? Conversa no facebook? A ansiedade era demais. Impossível entender como tanta gente gosta de paquerar, já que para ela não passava de uma situação desconfortável. 

Já estava olhando para o teclado do celular a pelo menos 5 minutos. Tinha escrito uma mensagem bem carinhosa, mas como a última enviada tinha ficado sem resposta, bateu aquele medo de estar pegando no pé. Ela tentou desviar o pensamento, fingindo ter raiva da pessoa que inventou o celular, mas sua cabeça não conseguia parar em outra coisa que não fosse ele. 

Em um rompante de raiva se deu conta de que nada adiantou o diploma e as especializações. Qual a utilidade de todo o movimento feminista se na hora que se apaixona a mulher vira uma manteiga derretida, em que o homem se lambuza da maneira que achar melhor. 

Não pode deixar de achar irônico. Passou anos da sua vida estudando como escrever bem para não ter coragem de passar um bilhetinho eletrônico escrito: “Tudo blz com vc? Saudades. Bjs”. A revolução sexual não serviu nem para isso? Para uma mulher usar as técnicas de escrita que aprendeu na hora de flertar?

Por fim, desistiu. É melhor não passar mensagem nenhuma, nem telefonar, nem conversar no facebook. E é melhor ainda não se envolver com ninguém. Não existia nenhum motivo para passar por aquela angústia. 

Tadinha.

TPL_IN

 

Em tempos de facebook, onde todo mundo tem que postar o tempo inteiro o quanto é feliz, compreensivo e gentil, um sem número de textos circula pela rede com mensagens incentivando o perdão. Você deve perdoar o outro. Guardar mágoa faz mal ao coração. Quem perdoa se sente mais leve. E por aí vai.

Longe de mim dizer o contrário, até mesmo porque eu sou uma manteiga derretida, que dificilmente guarda raiva de alguém. Tenho um comportamento explosivo, que me permite soltar todas as raivas em um momento de discussão e pouco tempo depois toda a chateação vai embora.

Mas, e quando fui eu que errei? E quando o perdão não deve ser dado ao outro e sim a mim? Aí, a porca torce o rabo!

Quando uma pessoa erra comigo, tenho a sensação de que ela se equivocou, que não foi de propósito, que foi sem querer. Mas quando eu erro comigo, me dá aquela coisa ruim, de “poderia ter feito diferente”, “por que eu não pensei antes” ou “eu sempre me sacaneio”. O que, se for analisado friamente, não chega nem perto de ser verdade.

O problema é que acumular mágoas contra nós mesmos é muito mais fácil do que se imagina. O que eu vejo de gente que alterna entre a autopiedade e o rancor contra si mesmo é absurdo! E isso não faz o menor sentido.

Quando se tem um coração pesado de arrependimentos, não se consegue seguir adiante. Ficar se julgando e remoendo as culpas não passa de um atraso de vida, e pode acreditar em mim: se perdoar é fácil!

Basta ter a consciência de que você é, como diria Raul Seixas, humano, ridículo e limitado. E que isso é normal! Todos somos! Não existe superhomem ou supermulher. Existem pessoas que erram e acertam, todos os dias, a todo momento, e que precisam saber lidar com isso.

Para conseguir se perdoar, basta aceitar o seu erro, refletir em que momento e por quais motivos ele aconteceu. E, lógico, se esforçar ao máximo para não repeti-lo.