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(Escrito em 2009)

Estou com trinta anos, e há uns vinte todo finalzinho do mês de dezembro eu vou lá e compro uma agenda para o ano novo. Gasto muito mais do que devo com ela, pois estou piamente acreditando que ela será a salvação dos meus problemas.

De posse da minha agenda estalando de nova eu faço uma lista que segue um padrão. Desde que eu tinha dez anos eu sonho que depois da meia noite do dia 31 eu vou conseguir ser rígida na dieta, vou amar a academia, ir ao salão de beleza toda a semana, organizar as minhas roupas pela cor e pelo tamanho, poupar dinheiro e, finalmente, fazer uma caridade que realmente valha a pena. Na maioria das vezes fico bem satisfeita com a listagem que fiz.

O passo seguinte é abrir o meu enorme bocão e contar para todo mundo os planos para o ano novo. Das primeiras vezes algumas pessoas até se impressionaram com a minha capacidade de planejamento, afinal de contas eu traço metas, com direito a gráficos e desenhos da Barbie fazendo aquilo que eu teoricamente irei fazer (tudo bem que eu não tenho nada a ver com a Barbie, mas sonhar não custa nada, e além do mais eu acabei de planejar que vou malhar e emagrecer, certo?)

E então vem a festa do reveillon. Roupa branca e esperanças renovadas. Eu sempre acredito na promessa de muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender. Choro à meia noite de pura emoção (e um pouquinho de cachaça também), com direito a comer lentilha, dar pulinhos nas ondas (quando estou no litoral, é lógico) e colocar caroços de romã na carteira.

Aí, no dia primeiro eu não consigo colocar em prática nada porque geralmente estou de ressaquinha e cansada, mas tudo vai passar e no dia 02 eu começo. Só que em fevereiro já tem o carnaval, e aí não dá para fazer dieta nem economizar. O problema é que logo depois tem Semana Santa, Páscoa, Dia das Mães, Festa Junina, Dia dos Pais, Dia das Crianças... Nossa, já chegamos no fim de mais um ano e minhas metas ficaram para trás.

E como eu tinha aberto a minha gigantesca boca para anunciar ao mundo os meus planos, todo mundo sabe que eu não os cumpri. E então, o que eu faço? Compro mais uma agenda cara, faço mais desenhos da Barbie e novos gráficos. E conto para todo mundo de novo.

Por isso nesse ano eu resolvi fazer diferente, afinal de contas já sou uma mulher madura, responsável e descolada! Comprei uma agenda baratinha que só me custou R$ 10,00!!! Mas, na primeira página dela daqui a pouco eu vou colocar uma lista para 2010 onde eu vou emagrecer, malhar e praticar caridade. Ah, e já estou anunciando para todo mundo!!!

Feliz Ano Novo!!!

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Não curto dia dos namorados. 

Acho muito esquisito que, no dia 12 de junho, independente de qualquer coisa, eu tenha que simplesmente me tornar a pessoa mais romântica do mundo. Não importa se estou menstruada, com problemas no trabalho, sem grana ou, como está acontecendo neste ano, hospitalizada. O mundo quer me obrigar a ver corações em tudo. 

A televisão urra na minha cara: COMPRE UM PRESENTE ROMÂNTICO! Mas e se a minha vontade for presentear o meu amado com aquele aparelho ortodôntico caríssimo que ele precisa, porém nunca teve coragem de gastar toda a grana que o objeto exige? Ou ainda um colchão ortopédico (nada romântico) para tratar da sua lordose? Tornei-me a pior namorada do mundo?

No dia 12 de junho achar um restaurante e/ou um motel é missão impossível! Se o pobre do cara não reservou antes, nem adianta tentar. Vai passar mais raiva que alegria. Então, mesmo que vocês saiam todos os finais de semana do ano, porque naquele dia específico não rolou de fazer nada, o cara é um desalmado?

Não sei quem teve a brilhante ideia de eleger dia 12 como o "mais romântico do ano". Balela! A mulher não precisa esperar um dia x para usar aquela lingerie especial, e nem o homem de um dia y para presentear com flores e chocolate. A espontaneidade é muito mais gostosa. Celebrar o amor no dia em que se tem vontade é muito mais real do que em uma data marcada sei lá por quem. 

Pior ainda é para quem não tem namorado/a. Parece que você é um ET e sua solteirice é encarada como o pior defeito do mundo. Aqueles que não têm alguém para chamar de seu devem sofrer de depressão profunda e achar que o mundo não presta. Só é bom para quem namora. Ah, fala sério! 

Mas, para que não me chamem de chata, um feliz dia dos namorados. 

 

P.S.: A lógica também vale para dia das mães, dia dos pais, dia das crianças...

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1 – Dizer que vai dar aquele festão quando na verdade não passa de uma armadilha para vender Avon e Tupperware. A única chance de você conseguir reunir gente de novo será no seu velório;

2 – Falar para os seus convidados que podem levar quem eles quiserem. Sempre tem um infeliz que leva mesmo;

3 – Servir comida mexicana se a festa for em um ambiente fechado. Feijão doce provoca gases malignos nas pessoas;

4 -  Servir uma carne difícil de cortar (ou com molho de tomate) quando não tem lugar suficiente para todo mundo sentar. 90% das pessoas vão sair com a roupa manchada e te odiando com todas as forças;

5 – Inventar de dar a festa no dia do último capítulo da novela, que vai desvendar coisas do tipo “quem matou a Norma”. A menos que você instale um telão no estilo final de Copa do Mundo, não vai aparecer ninguém;

6 -  Deixar de convidar uma pessoa para convidar outra e elas não se falam. Pode apostar que no final das contas não vai ninguém;

7 -  Convidar um monte de intelectuais e colocar todo mundo para ouvir funk e Banda Calypso.  A única coisa pior do que isso é convidar a própria Banda Calypso;

8 -  Beber o dia inteiro e recepcionar os convidados com um banho de vômito. O lado bom é que sua festa será inesquecível;

9 -  Convidar todo mundo para a sexta-feira e achar que convidou para o sábado, e quando os seus convidados chegarem você estar jogado no sofá vendo o Jornal Nacional;

10 – Esquecer de me convidar.

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Entra ano, sai ano e é a mesma coisa: depois do dia dos namorados, vem o dia de Santo Antonio. Todos os programas de televisão ensinam as mais mirabolantes simpatias para a mulherada achar um marido.

Afoga, coloca de cabeça para baixo, enfia em um pote de arroz, arranca o bebê do colo! Torturam tanto o pobre do santo, que acredito que a única coisa que desperta nele é raiva, com uma vontade nula de ajudar.

Mas, sério mesmo, precisa disso tudo?

Não consigo entender essa agonia que as pessoas sentem por ter um relacionamento. Tá certo, é legal ter alguém do lado, um querido para chamar de seu, mas existe um exagero sem tamanho. O sexo feminino tem uma tendência de achar que a felicidade só é completa com uma história de amor. Ah, fala sério...

Conheço um sem número de pessoas que seriam muito mais felizes se fossem solteiras, do que vivendo uma mentira só para terem um relacionamento.

A vida a dois é uma delícia? Sim! Mas a vida de solteiro também, oras. Quer coisa melhor do que não ter que dar satisfação para ninguém? Ser dona do seu dinheiro, sem ter que prestar contas? Sair (ou não) na hora que quer e ter vontade? Não ser obrigada a assistir futebol no domingo a tarde? Dormir com camisola furada e meia no pé, sem se preocupar em estar feia ou bonita?

A gente tem que ser feliz! Solteira, namorando, casada, noiva ou enrolada. Nossa alegria não pode estar baseada em um parceiro!

Deixem o Santo Antonio em paz!

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Mesmo não sendo uma sábia entendedora dos signos do zodíaco, ensinaram-me desde a mais tenra infância que, pelo fato de ser geminiana, eu deveria ser inconstante e indecisa. Foi muito bem ensinado, e tenho essas características enraizadas em mim de tal forma que, quando eu vou entrar em um ambiente qualquer, entram primeiro a incerteza e a inconstância.

Não raras foram as vezes que escutei: “A Janaina muda de opinião como quem muda de camisa” ou “ A Janaina fala uma coisa agora e outra completamente diferente daqui a pouco”. É tão marcante isso em mim, que nem eu mesma me entendo, atolada com tantas opções e escolhas que posso fazer.

Em mais de trinta anos, ainda não sou capaz de escolher o meu prato preferido. Existem tantas comidas gostosas e suas infindáveis variações que acho uma crueldade ter que escolher apenas uma como a melhor de todas. Não possuo um estilo de roupa, pois gosto de todos. E música então? São tantas que eu elejo como a melhor...

Tudo bem que canso a beleza dos outros. É bem típico de mim fazer um discurso de duas horas defendendo um ponto de vista com veemência, e de repente ter um estalo e perceber que não era nada daquilo o que eu acreditava. Num piscar de olhos, passo a defender com ardor outra visão do assunto. Não se surpreenda se até o final da conversa um terceiro ângulo seja o que vai levar a palavra final.

Não me interpretem mal. Em momento algum eu disse que sou duas caras. Também não sou volúvel. Apenas acho que o mundo é tão rico em ideias, cores e possibilidades que fica difícil escolher uma. Seria tão mais fácil se eu pudesse ficar com todas...

E todas as vezes em que me encontro sendo obrigada a tomar uma decisão, a escolher alguma coisa que tem um tom definitivo, fico com uma angústia sem fim. Todos os “e se” passam na minha cabeça, e vou empurrando a decisão com a barriga até não poder mais. Não sinto a menor vergonha de dizer que, em todas as vezes que eu posso deixar que o universo decida por mim, assim o faço sem o menor peso na consciência. Mas existem coisas que (felizmente ou infelizmente?) eu preciso escolher.

Lembro quando eu fui fazer vestibular. Na ficha de inscrição tinham tantas opções de curso que eu quase entrei em parafuso. Eu queria ser tudo o que tinha ali: dentista, historiadora, jornalista, atriz... Deixei que meus pais decidissem e fiz Direito. Mas ainda quero fazer odontologia, história, jornalismo, artes cênicas...

Ok, ok. Não é algo muito maduro da minha parte. Reconheço que uma mulher determinada desperta muito mais a admiração das pessoas. Eu adoraria ser firme e objetiva, mas para conseguir ser assim preciso tomar um montão de decisões. E só de pensar nisso já dá preguiça.

Só que não tem jeito. Preciso levantar, sacudir a poeira e fixar a seta do rumo que vou dar ao meu destino. Incerteza e insegurança precisam ser colocadas em um cantinho, nem que seja por cinco minutinhos, pois terei que fazer escolhas. Fácil ninguém falou que é. Só que, no momento, é necessário. E urgente.