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O que é um grande amor? Como identificar um grande amor? Em que momento se vive um grande amor?

Todo mundo busca um relacionamento perfeito. Estamos sempre procurando o parceiro ideal para a vida ideal. Será que isso existe?

Eu me questiono diariamente sobre o meu relacionamento. São anos de convivência, tendo dias excelentes e dias péssimos. Há momentos em que olho para o meu marido e tenho a certeza absoluta de que ele é o homem para passar o resto da minha vida. Há momentos em que eu olho para ele e me pergunto o que é que estou fazendo ao seu lado.

Antigamente era muito mais fácil um casamento durar 40 anos. As pessoas não se sentiam na obrigatoriedade da felicidade. Era mais ou menos assim: qual o problema da mulher não gozar? Qual o problema do homem dar uns catiripapos na mulher? Qual o problema de ser maltratada? Não existia coisa pior na vida de uma mulher do que ser “largada do marido”. Ser infeliz era aceitável.

Hoje as mulheres buscam seu lugar ao sol. Temos que ser bonitas, magras, competentes, alegres, risonhas, inteligentes, cultas. Ser realizada não é mais um sonho impossível. Ufa, ser feliz cansa. Mas é possível. E aí, os homens não aguentam o rojão. Para eles basta tomar uma cerveja no final do expediente e falar de futebol e mulheres gostosas.

Eu acho que eu vivo um grande amor. Não sei se é eterno, mas sei que é intenso. É o que eu quero hoje. Não acredito em amores eternos nem em felicidade para sempre. Acredito que posso buscar o meu grande amor todos os dias, em pequenas atitudes. Isso sim é ir em busca da minha felicidade.

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Estou muito zangada com a minha cabeleireira. Na verdade, nunca mais vou àquele salão de beleza. Mulher má, muito má. Ela teve a audácia de dizer que estou com dois fios de cabelo branco na cabeça.

É, não tem jeito. O tempo passa pra todo mundo. Os quase quarenta estão aí, e os 20 e poucos estão cada vez mais lá. Rugas aparecendo, pele ficando flácida, e inevitáveis cabelos brancos surgindo.

No entanto, com esses desagrados, percebo outras coisas chegando também. Paciência é uma delas. Já aprendi que as coisas não são para ontem, e isso é muito difícil. Não tenho mais planos de mudar o mundo, e não tenho mais a ilusão de que a Globo irá me descobrir e eu serei considerada uma das mulheres mais bonitas do Brasil. Mas tenho a consciência de que a vida sempre dá certo, e que as raivas e mágoas passam, basta a gente ter vontade.

Não ter mais a vitalidade dos 20 anos não traz apenas pontos negativos. Junto com os trintinha vem algo chamado humildade. Com muita dor venho aprendendo humildemente a pedir desculpas e a reconhecer meus erros. Para fazer isso, só com muita maturidade. Mas sou obrigada a confessar que tem muita gente com quase 100 que não admite seus erros. Estou em larga vantagem.

Não consigo mais passar uma noite inteira bebendo, e acordar às 6 horas da manhã para enfrentar o batente, como já fiz muitas vezes, e talvez isso tenha feito surgirem esses cabelos brancos. Mas, consigo decidir qual programa será bom para me deixar acordada uma noite inteira, sem perder tempo com coisas inúteis. Sei olhar uma situação e antecipar se dará certo ou não.

Descobri, com a minha cabeleireira, que a beleza que tive aos 20 não vou ter nunca mais. Aquela pele vistosa e o brilho no olhar de quem acredita que tem o mundo inteiro a desvendar passa, e não volta nunca mais. Mas posso olhar para trás e dizer: 30 e alguns bem vividos, e que venham mais 30, mais 30 e mais 30.

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No começo eram duas pessoas enamoradas, que se conheceram em uma situação qualquer da vida e perceberam que não poderiam ficar mais nenhum segundo longe um do outro.

O tempo passou. Casaram, tiveram uma vida juntos: filhos, contas, alegrias, tristezas e, quem sabe, até netos. A vida que todo mundo sonha em construir. Quando era para estar tudo bem e usufruírem das coisas que lutaram para ter, as brigas começaram e eles jogaram tudo por água abaixo.

Não se suportavam mais, um não respeitava mais o outro, a convivência estava impossível, e o pior aconteceu: acabaram se separando.

Essa é a realidade de muitos casais, infelizmente. A intolerância faz com que o relacionamento, que parecia que era para a vida toda, acabe. Ok. Ninguém tem culpa. Ou melhor, os dois têm culpa, porque quando um não quer, dois não brigam, e a vida tem que continuar.

Mas é aí que surge a minha dúvida. Não consigo entender como pessoas que se amaram, que fizeram planos, que sonharam juntos, passem a se odiar. Eu penso que na hora em que se separaram, assim o fizeram justamente para que parassem de brigar. Afinal de contas, o mundo não se resume ao relacionamento, e com certeza outros assuntos em comum vão continuar existindo na vida de dois seres que partilharam da intimidade.

Pessoas que foram casadas por 10, 20, 30 anos, de repente param de se falar e se tratam como se fossem os piores inimigos um do outro. Não sou capaz de compreender. Pais se afastando de filhos por conta de brigas com os seus ex-parceiros, disputas por bens que foram comprados juntos, xingamentos e agressões fora de hora dão as caras.

Na minha modesta opinião, as pessoas que se comportam assim são aquelas que se separam ainda amando. Os que criam ódio do antigo parceiro são aqueles que na verdade ainda os amam e se culpam muito, mas muito mesmo, pelo relacionamento que acabou.

Eu conheço um casal que esteve junto por lindos anos. Tiveram filhos, netos, construíram uma casa maravilhosa e poderiam estar juntos até hoje se tivessem tido bom senso e jogo de cintura. Mas as birras falaram mais alto e eles não souberam conviver com um problema que nunca tinha existido na vida deles: a falta de dinheiro.

Para piorar, o ex-marido arrumou uma mulherzinha (ele ainda estava casado, naquela fase em que não se tem certeza se vai ficar junto ou não, e a dita-cuja arrumou uma barriga) que não ajudou em nada. Muito pelo contrário, bota lenha na fogueira. Proibiu (eu não sabia que ainda tinha homem bobo desse tanto) o pai de visitar os filhos para que ele não visse a ex-mulher! Eu nunca tinha visto tanto absurdo.

A ex-mulher chora. Não entende como um homem que foi seu grande amor pode sentir tanto ódio no coração, sem motivo real. Apenas por brigas bobas e que todo casal pode ter.

E tudo isso para quê? E tudo isso por quê? No final das contas os dois sofrem. Ninguém está feliz, por que toda essa distância só demonstra o tanto que dói ver o seu castelo de sonhos desmontado e um ódio irracional dominando os corações de antigos amantes.

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Será que todo mundo acha que a vida de uma mulher casada é muito sem graça? Depois que temos um parceiro estável as pessoas começam a achar que a nossa vida se torna uma rotina entediante?

Tudo o que eu vejo agora são publicações, filmes, seriados, novelas, crônicas e livros que tratam da solteirice das mulheres. Depois de Sex and the City o mundo nunca mais foi o mesmo. Parece que só se divertem as mulheres que estão livres e desimpedidas aos trinta anos. Só vejo colocações assim: “essa é a Carrie Bradshaw brasileira”. Ou ainda: “aquela é a Carrie Bradshaw chilena”. Ai, que saco! E depois que a Carrie Bradshaw de Nova York juntou os trapinhos de marca, acabou a saga das quatro personagens tão famosas.

Eu acho muito divertido ler e assistir mulheres que estão lutando pela conquista do grande amor e de um príncipe encantado que, se não chega mais em um cavalo branco, deve vir em um carro zero com câmbio automático e ar-condicionado. Mas, se todo mundo (ou quase todo mundo) quer achar alguém para ser a tampa da panela, por que ninguém quer saber daquelas que já conseguiram?

Não somos obrigadas a ter uma vidinha mais ou menos depois de juntar as escovas de dentes. Podemos ter uma vida repleta de emoção e alegrias. Já que as tentativas de engatar um namoro não fazem mais parte do nosso dia a dia, as expectativas em relação à maternidade ou ainda à busca da felicidade com o parceiro são coisas muito divertidas e que podem, sim, fazer sucesso.

Volta e meia eu me sinto uma ET por ser casada e gostar disso. Não quero ficar me queixando que sinto saudades dos tempos de solteira e que queria voltar a frequentar baladas. Muito pelo contrário. Eu já não gostava das noitadas nem quando eu estava na pista para negócio. Gosto muito da minha vidinha de casada, de assistir ao Jornal Nacional com os pés no colo do meu marido e de me preocupar com a alimentação do meu filho. Estou errada por isso?

Sei que vão me acusar de ser machista, mas não é isso. Acho que tudo tem o seu valor. Ser casada pode ser tão divertido quanto ser solteira e vice-versa. O importante é que estejamos felizes. Temos que lutar para alcançar os nossos objetivos, independente de qualquer coisa. E o meu sempre foi ser feliz. Solteira ou casada.

Gosto de escrever e de ler sobre mulheres de 30 anos que têm filhos e marido, porque é essa a minha realidade. Que bom que as solteiras já conseguiram o seu espaço, e fico muito orgulhosa delas. Mas, deixem um pouquinho de espaço para nós também, por favor!

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Que bom! Finalmente o povo está protestando. Jovens nas ruas, bandeira nacional em punho e o hino bem ensaiadinho. Muito legal a onda de nacionalismo que invadiu o nosso país. Tudo foi organizado pela internet, e começou com o movimento passe livre. Depois se espalhou pelos quatro cantos, e estamos vendo o circo pegar fogo.

 

Como não posso ficar fora da “onda”, vou fazer o meu próprio protesto. Há anos luto para que as pessoas leiam livros nacionais e valorizem a cultura brasileira, mas meu grito tem sempre sido abafado pelas altas cifras jogadas em produtos estrangeiros, e acabo sendo escutada por poucas – porém fieis – pessoas. Isso é motivo para uma passeata? Acredito que sim!

 

Também quero protestar contra aqueles que jogam lixo no chão – especialmente os fumantes e suas bitucas de cigarro. Para quem grita que os impostos são usados indevidamente, a lembrança de que o salário do gari é pago com dinheiro público deveria estar viva na mente. E que, ao ficar recolhendo a sujeira de porcos que não se dão ao trabalho de procurar a lixeira mais próxima, o funcionário estatal diminui a qualidade do seu serviço.

 

Não posso esquecer de ir para a rua  me posicionar contra o motorista que não respeita faixa de pedestre, assim como aquele que bebe e vai dirigir, e também o que ultrapassa o sinal vermelho. Milhões de reais são gastos por ano nos hospitais com vítimas de acidente de carro. Jovens em plena capacidade produtiva ficam com sequelas para o resto da vida, isso quando não morrem.

 

Por último, mas não menos importante, protesto contra os que furam fila, os que querem se dar bem o tempo inteiro, os que não devolvem o troco a mais que recebem, os estudantes que colam na prova, os que estacionam em vaga de deficiente, os que não respeitam os idosos, os que batem em crianças e os que jogam toda a culpa das mazelas do mundo no governo e se esquecem de olhar para o próprio umbigo.

 

Claro que podemos mudar o mundo! Claro que podemos mudar o nosso país! Mas temos que começar mudando a nós mesmos.