Laag Zuthen, 06 de junho de 2016

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Estou neste momento sentada em uma varanda na cidade de Laag Zuthen, na Holanda, pensando em como a vida pode ser uma coisa realmente boa. A temperatura está agradável, tanto que consigo ficar sentada na varanda, do lado de fora, vestindo apenas uma bermuda e uma camisa de manga comprida mas de um tecido fino.

Me sinto como uma personagem de filme, fazendo anotações no meu bloquinho enquanto degusto uma xícara de expresso, apreciando a paisagem bucólica. São 06:40 am e o silêncio é delicioso. O único barulho constante é dos pássaros que não param de cantar. Vez por outra passa um carro e com mais frequência uma bicicleta. Acredito que sejam as pessoas indo para os seus afazeres da segunda-feira.

A rua tem por volta de quinze casas, sendo uma delas a hospedaria que estou com a minha família. As residências são todas amplas e confortáveis, em estilo germânico, lembrando os antigos contos de fada. O local é repleto de belas árvores e plantas bem cuidadas, com belos jardins.

Ontem chegamos de viagem depois de um excelente voo. Saímos de Guarulhos e nossa escala foi em Madri. Viemos pela Cia Ibéria e eu a recomendo veementemente. Cadeiras confortáveis, excelente serviço de entretenimento a bordo (assisti uns quatro filmes) e a comida surpreendentemente estava gostosa. As nove horas que passamos dentro do avião foram bastante agradáveis.

Ao desembarcarmos em Madri (eu fiquei muito feliz porque ganhei um novo carimbo no passaporte) passamos pela imigração com tranquilidade. Não sei se é porque estou acostumada com os Estados Unidos, onde eles só faltam perguntar a cor da minha calcinha, na Espanha o rapaz do guichê nem deu bola pra gente, apenas conferiu as nossas passagens e liberou a nossa entrada para esse mágico e lindo continente Europeu.

Tínhamos uma espera de duas horas no aeroporto, e eu aproveitei para treinar meu espanhol, o que fez o Samuel, meu marido, e o Yuri, meu enteado, ficarem me zoando. Mas eu sou uma apaixonada por aprender novos idiomas e sempre que eu posso converso com pessoas de outras países, tentando absorver mais um pouquinho de cultura. Sendo assim, espalhei muitos “buenos dias” e “gracias” no aeroporto, achando-me a fluente em espanhol!

Às 08:50 am pegamos nosso segundo avião, rumo a Amsterdã. Como eu fiquei o outro voo todo vendo filmes, neste eu estava morta de cansada e acabei dormindo o tempo todo. O avião era um desses comuns, de voo doméstico. Muito engraçado isso, a gente sai de um país europeu e vai para outro país europeu como se estivesse saindo do Rio de Janeiro e desembarcando em Porto Alegre.

No aeroporto de Amsterdã nossas bagagens demoraram a sair e eu estava absurdamente agoniada, porque meu filho já estava me esperando do lado de fora. Para uma mãe, encontrar o seu filho depois de um ano de muitas saudades é algo muito difícil de colocar no papel. O coração fica apertadinho e a vontade de chorar é inevitável. O abraço que dei nele foi tão emocionado que umas senhoras que estavam ao lado se emocionaram junto.

Tínhamos que esperar mais ou menos uma hora até chegar o voo da minha mãe, que saiu de Brasília e fez escala em Lisboa. Esse foi o tempo de rodar pelo aeroporto. Ele é um shopping e tem até supermercado dentro. Não demorei a tomar a minha primeira Heineken de verdade e também comemos batata frita (o surpreendente da batata é o molho que a acompanha. Delicioso! Feito de pasta de amendoim, então é adocicado e apimentado ao mesmo tempo. Quero levar um pote enorme para levar para casa). Foi barato, pois uma porção que deu para nós quatro custou apenas 3 euros e 10 centavos. Também tinham muitas lojas de flores, balões e essas coisas que as pessoas entregam para as pessoas que estão desembarcando.

   

Quando a mamãe chegou (e o reencontro dela com o neto foi outro momento de muita emoção) fomos alugar o carro. Mais uma vez eu esperava a burocracia que a gente sempre enfrenta nos Estados Unidos, mas foi muito tranquilo! Rápido, sem filas e sem mimimis. Para os 20 dias que ficaremos na Europa pagamos 450 euros, em um carrão cheio de "frufrus" que faz o Uno velho que eu dirijo no Rio ficar meio envergonhado.

Dali do aeroporto, viemos aqui para Laag Zuthen. A viagem é de mais ou menos uma hora e quarenta minutos, completamente sem trânsito, com pistas maravilhosas e motoristas educados. Momento que eu não senti a menor falta do Rio de Janeiro, confesso. No meio do caminho paramos em um restaurante que também é um observatório e tinham famílias reunidas pegando um solzinho, andando de bicicleta e muitos veleiros passeavam no canal que ficava ao lado. De acordo com o Yuri, que foi o único a ir ao banheiro, foi a melhor experiência em fazer xixi na vida dele, pois o cômodo tinha música, plantas e uma decoração que fazia vontade de deitar no chão do banheiro e ficar lá para sempre.

Quando chegamos em Laag Zuthen viemos para a nossa hospedaria que fica a três casas de onde o Luiz, meu filho, está morando. Ele nos deixou primeiro onde ficaríamos hospedados, pois estávamos realmente precisando de um banho, e o lugar é muito legal. É uma casa, de um casal holandês, eles chamam o lugar de “bad and breakfast” (cama e café da manhã). É muito confortável e quentinha. Dá vontade de vir no inverno, ficar aqui dentro olhando a neve e tomando chocolate quente. Contudo estamos no verão, com uma temperatura agradável, pessoas usando camisetas e shorts, e mesmo assim o lugar é bastante acolhedor.

Dali seguimos para conhecer a família que recebeu o Luiz e meu coração se inundou de alegria. Eles são pessoas doces e maravilhosas, que nos trataram com o maior carinho do mundo. Nós tomamos cerveja e vinho com eles, e jantamos uma comida deliciosa! Uma torta de espinafre que eu já pedi a receita e tentarei fazer em casa, uma batata com repolho e um creme branco que eu desconfio que tinha noz moscada e que deixou um sabor único e almôndegas. Um espetáculo! Ah, antes eles serviram uma sopa de vegetais tipicamente holandesa. E, por fim, uma sobremesa também típica, uma espécie de flan de baunilha com maçã e a outra de baunilha com chocolate.

Toda a família falava inglês, o que facilitou muito a nossa comunicação. O holandês é uma língua muito bonita, contudo muito difícil. Eu fiquei impressionada com a desenvoltura do meu filho. Aliás, o que mais me impressionou foi o fato e ele falar três idiomas ao mesmo tempo, pois salvava quando alguém se perdia no inglês, ele traduzia do holandês para o português e vice-versa. Fiquei em um momento “mãe boba e orgulhosa”.

Já eram umas oito horas da noite e ainda estava dia claro. Mas bem claro mesmo, tanto que eu achei que eram umas 4 horas da tarde. Meu relógio interno ainda não se ajustara muito bem às cinco horas de diferença do fuso horário, e essa coisa de ser claro até tardão deixou meus sentidos um pouco mais confusos. Após o jantar demos uma caminhada em uma trilha. Fiquei impressionada com a beleza. É uma espécie de floresta, com o que eu acredito ser um riacho (mas pode ser um canal, por que parece-me que aqui tem canal por todo lado), cheio de árvores. E tudo muito bem cuidado, planejado, organizado.

Depois da caminhada, voltamos para a casa, e o Yuri nos presenteou com algumas músicas dele, tocando tambor e violão. E lá pelas dez horas da noite, voltamos para dormir, e ainda não era noite fechada. Foi um dia meio mágico, com uma sensação cinematográfica e muita paz. Minha vontade é ficar aqui para sempre, escrevendo livros e convivendo com esse povo tão bonito e educado.

 

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