Amsterdã, 19 de junho de 2016

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Amsterdã é a melhor cidade do mundo. E o motivo um só: muita diversão garantida tomando todo o meu tempo. A capital holandesa é linda, pulsante, rica! 

Chegamos no começo da tarde e fomos direto para o hotel, que fica nos arredores da cidade. Bem bonitinho, mas sem grandes luxos. Uma coisa que eu aprendi é que realmente os hotéis europeus não tem o costume da coisa do “café da manhã incluído”. Geralmente é muito caro, valendo mais a pena comer em uma padaria ou lanchonete. 

Deixamos o carro no estacionamento e pegamos um ônibus do hotel que nos levava para a estação de trem que fica no aeroporto. De lá, seguimos para a estação central, onde o meu filhote nos esperava. Ele estava realmente muito ansioso para nos apresentar o que foi o seu mundo de diversão no último ano. 

Nem bem demos os primeiros passos e demos de cara com o museu do sexo. Nem pensamos duas vezes e já entramos lá. O ingresso de quatro euros foi um dos melhores investimentos que eu fiz em toda a viagem. O lugar é um barato! Várias obras de arte, fotos, história do sexo e muita coisa engraçada. Tirei um bocado de selfies, pena que não pude colocar todas no instagram. Fiquei impressionada ao saber que em 1890 já se tinha um vasto material de fotos pornográficas. E era muita coisa cabeluda! Nada de foto só de beijinho! Coisas bem explícitas, sexo grupal, sadomasoquismo, posições muito loucas! A galera já era bem saidinha! 

Ficamos bem umas duas horas lá dentro. E eu só saí porque o resto do grupo queria. Por mim, eu ficava lá mais um tempão, olhando foto por foto, os vários vídeos, e coisas antigas do sexo. Já me deu vontade de voltar ali para fazer pesquisa para um livro novo! 

Depois saímos caminhando na via principal. E sim, aquilo que dizem de Amsterdã é verdade: todo mundo fuma maconha no meio da rua. Não poderiam, pois a lei diz que é permitido fumar apenas em coffee shop, mas discretamente (ou não) as pessoas acendem o seu baseado e fumam tranquilamente. A cidade tem o cheiro da cannabis. 

Paramos para jantar em um restaurante argentino e por 11 euros matamos a saudade de um belo bife. Estava meio sem sal, é verdade (o meu é muito mais gostoso) mas deu para quebrar o galho. Vinha acompanhado de arroz ou batata frita. E fiquei feliz da vida pois a cerveja que eu pedi veio gelada. Aliás, beber Heineken na cidade da sua fábrica é uma coisa divina! 

Continuamos andando e vendo várias lojinhas de presentes. É engraçado pois as lembrancinhas são divididas em dois temas: tamancos e maconha. Então, todo presentinho que alguém trouxer de Amsterdã ou fará referência aos calçados famosos deles, ou ao baseadinho básico da galera. 

Caminhamos, caminhamos, caminhamos e chegamos na tão badalada Red Light (Luz Vermelha). Ela é uma rua, cortada por um canal (como quase toda a cidade), onde dos dois lados tudo (absolutamente tudo) faz referência a sexo. Museu da prostituição, casas de shows eróticos ao vivo, um sem número de lojas de artigos eróticos, e claro, as famosas janelas! As prostitutas ficam ali, sorrindo, chamando clientes, se exibindo. Enquanto isso, turistas curiosos do mundo inteiro passam vendo. Uns de olhos arregalados, outros rindo e um infinito de jovens rapazes entrando e saindo das cabines, pelo valor de 50 euros. Vi umas moças muito bonitas e outras moças muito feias. Vi vários biotipos. Vi transexuais. Mas não vi negras nem orientais. Detalhe importante: é proibido tirar fotos.

Depois, minha mãe e o Luiz sentaram para tomar um café e eu e Samuel entramos em um coffee shop que ficava em uma travessa. Mesmo que o Luiz quisesse entrar ele não poderia. Eles são muito criteriosos com esse lance de ser maior de idade para entrar em um. Da mesma forma que onde se vende maconha não se vende bebida alcoólica e vice-versa.

O coffee shop era a coisa mais gostosa do planeta. Do lado de dentro ficava um balcão onde se vende chá, café, essas bebidinhas chiques. E do outro lado do balcão um cardápio com vários tipos de maconha. Eles mesmos falavam que o preço deles era diferenciado (leia-se mais caro) por ser tudo orgânico, livro de agrotóxicos, sem venenos. Um cigarro de maconha já pronto para fumar custa em média 4 euros. Pedi um bem light. O Samuel ficou rindo da mais cara pois eu falei um milhão de vezes: o mais tranquilo, o mais suave, o mais soft, o mais de gente que é fraquinha. Minha mente de achar que isso tudo é errado não me deixou sentar e acender ali. Coloquei o cigarro na bolsa, me achando muito moderninha e pra frente, por comprar maconha legalmente. 

Minha mãe e meu filho ficaram meio decepcionados quando não me viram doidona. Eu falei tanto que fumaria tudo o que tinha direito na Holanda que quando eu voltei sóbria, fizeram piadas dizendo que eu sou “café com leite”. Já passava das dez da noite e ainda estava claro, como se fosse seis da tarde. Voltamos para o hotel e eu ainda não estava acreditando que tinha passado um dia inteiro em Amsterdã. 

Acordamos cedo e seguimos para a estação central. Compramos um passeio para um city tour de barco. Honestamente, eu não recomendo. O lado bom é que o guia turístico vai explicando como a cidade se formou, como ela cresceu e tal. Mas aquele balancinho do barco, com a voz baixa do cara, somados ao cansaço da viagem toda, foi me dando um soninho gostoso… E pelo que eu olhei, não foi só comigo, pois teve uma japonesa que dormiu de roncar, e uma italiana que tacou o óculos de sol na cara para disfarçar sua soneca. Treze euros que eu gostaria de ter investido em outras coisas. 

De tarde, eu e Samuel tiramos um tempinho só para nós dois. Primeiro passamos em um coffee shop chamado “The Bulldog”. Completamente diferente do primeiro que fomos, era um ambiente fechado, escuro, com uma música muito alta e muita fumaça de maconha. Da mesma forma, é proibido álcool e cigarro comum lá dentro. Sentamos e eu fui ao banheiro. Tirei algumas coisas da bolsa e acabei esquecendo a minha carteira lá, e nem me dei conta. Depois sentamo-nos em frente ao balcão e finalmente tive coragem de acender o meu baseado. Assim que o efeito começou (como eu comprei o mais light existente no planeta, a sensação foi bem fraquinha, gostosa e relaxante, como se eu tivesse acabado de meditar) quis sair daquele ambiente fechado e barulhento para caminhar pelas ruas lindas de Amsterdã. E só fui me dar conta que minha carteira não estava comigo quando já tínhamos andado umas três quadras, e uns 50 minutos se passado. 

Todo o relaxamento foi para o espaço! Ali dentro tinha o meu passaporte, minha carteira de habilitação, meu dinheiro… Entrei em desespero. Eu e Samuel saímos correndo feito loucos e eu pedindo para todos os santos que eu já ouvi falar para que milagrosamente ninguém tivesse sentido vontade de fazer xixi e entrado no banheiro. Com o coração saindo pela boca, entrei no The Bulldog e fui direto ao sanitário, e para o meu pânico completo minha carteira não estava lá! 

Senti meu corpo inteiro gelar! O cara que estava sentado ao meu lado permanecia ali e por desencargo de consciência perguntei se ele tinha visto a minha carteira. Nessa hora o inglês fluiu perfeito, o nervosismo me fez ficar mais fluente que a Rainha Elizabeth. E para nossa alegria, ele me reconheceu e disse que a atendente tinha guardado a minha carteira. Que alívio! E quando eu abri, nenhuma das minhas moedinhas tinha sido retirada de lá de dentro. 

Depois desse susto todo eu resolvi que tinha o direito de me divertir. Tomei um café, Samuel tomou uma cerveja, e voltamos a passear pela red light. Os shows eróticos eram todos muito caros, mais de 40 euros por pessoa. E então eu vi uma placa dizendo “cabine privada por dois euros”. Opa! Interessou. 

Fui até o balcão e perguntei para o cara “é um vídeo erótico, é como um filme?”. E não entendi o que ele me respondeu, cheio de sotaque. Então perguntei de novo “mas é tipo um filme?”. Ele bateu no balcão e disse gritando “LIVE” (ao vivo). E eu bati de volta no balcão e gritei para ele “SORRY” (desculpa) e saí rindo. Fomos então para a tal cabine. Ela consistia no seguinte: seis cabines em torno de uma cama redonda. Tem uma janela de vidro separando o público da dançarina. Cada um que entra em uma cabine coloca uma moeda de um euro para assistir um minuto. Uma mulher bem bonita fica dançando nua. Se você quiser assistir mais tempo, basta colocar mais moedas. Quando acaba o seu tempo, sua cabine fica escura e você não consegue ver mais nada. É uma coisa completamente voltada para o tesão masculino, bem visual. Pessoas com claustrofobia não aguentariam 10 segundos em uma daquelas cabines. Não posso dizer que fiquei excitada mas foi uma experiência interessante. 

Marcamos de reunir todo o grupo por volta das 8h30 da noite, pois as 9h iríamos para um karaokê que o Luiz gosta muito. Foi sensacional! No começo eu fiquei meio tímida, com medo de pagar mico cantando em inglês. Funciona assim, a cada cinco euros que você gasta no bar, pode cantar uma música. Perdi a vergonha na cara e cantei Dancing Queen do Abba! Foi muito maneiro! A plateia toda cantou comigo e eu me diverti a valer. 

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