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São Paulo, 08 de janeiro de 2019

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 Sim! A promessa de acordar às 4h30 da manhã foi cumprida com sucesso! Na verdade, eu não consegui dormir direito. Fiquei ansiosa e agoniada. Por volta de 4h da madrugada eu já estava levantando para tomar banho e, sob protestos, Samuel acordou às 4h30. Às 5h a gente já estava na estrada. Em compensação, no carro eu apaguei e caí nos braços de Morfeu com profunda intensidade.

 As estradas do estado de São Paulo definitivamente são um luxo, em todos os aspectos. Seguras, bem cuidadas, iluminadas. Mas também são caras. Os pedágios arrancam um bocado de dinheiro do nosso bolso. E os postos de gasolina têm as comidas mais caras do universo. Onde já se viu um misto quente custar quase dezoito reais, minha gente? Tem fios de ouro nesse presunto? E o café? Deve ser daquele que tem a bosta do besouro raro que vive nas montanhas do Paquistão, para poder ser a “bagatela” de R$ 8,50 o cafezinho. Nem a Kopenhagen tem essa cara de pau de enfiar tanto assim a faca.

 Enfim, lá pelas 10h da manhã chegamos na cidade de São Paulo. Tem uma coisa muito louca ao se aproximar da maior cidade do Brasil de carro, a gente enxerga uma densa nuvem cinza de poluição. Acho que eu posso vir mil vezes aqui que nunca deixarei de me espantar com isso. O trânsito estava muito intenso – como sempre – mas conseguimos chegar na Santa Efigênia no horário programado. A reunião do Samuel era numa padaria, com o mesmo nome do bairro, o que devo confessar que me deixou muito feliz. Lá é um lugar maravilhoso, que tem uma coisa que sempre amei comer e que nunca vi fora de São Paulo, a coxa creme. Trata-se de uma coxa de galinha inteira, com o ossinho ainda, que é envolta em uma massa parecida com a de coxinha e tem um creminho delícia entre os dois. Mas, para a minha frustração, o preço aumentou e o tamanho da coxa diminuiu. A padaria continua muito bonita e cheia de frufrus, mas a minha sonhada coxa creme foi um pouco decepcionante.

 Saímos dali e fomos dar uma volta pelo centro de São Paulo e, infelizmente, tive mais uma frustração. Eu sempre amei a Galeria do Rock por vários motivos. Era um ponto de encontro de gente descolada, alternativa, com produtos muito undergrounds, com preços baixos e que não se encontrava em lugar nenhum. Para a minha tristeza o que eu vi dessa vez foi um monte de loja vendendo a mesma coisa que eu encontro no país todo, basicamente camisetas divertidas, bonecos e canecas, por um preço proibitivo. Não comprei um ímã de geladeira sequer, pois não vale mais a pena. Eu entendo que hoje ali é um ponto turístico e tal, mas isso não me impediu de ficar bastante frustrada e decepcionada. Até mesmo um lugar onde o Samuel costumava tomar uma vitamina e era popular hoje virou uma daquelas lojas de suco de bolhas, tipo franquia, sem mais nada de pessoal ou alternativo. Mais do mesmo.

 Falando em mais do mesmo, saí dali e fui para uma Starbucks, editar vídeo, usar a internet e descansar um pouco das longas horas de viagem enquanto o Samuel dava um “rolê” (sendo bem paulista) com o Yuri, meu enteado. O cansaço bateu com força e quase dormi em cima da mesa mesmo. Ali que eu senti a lombeira da estrada. Já passava das duas da tarde, o calor estava de matar e tenho uma leve desconfiança que minha pressão deu uma caída.

 Quando nos reunimos os três novamente, fomos almoçar. Eu adoro esses pratos feitos de SP, mas não dou conta de comer um inteiro. Por isso, eu e Samuel dividimos um bife à milanesa que estava gostoso porém nada fora do comum.

 Nos despedimos do Yuri e fomos para o hotel que achamos em Santana. Tinha aquela carinha de motel. Custou noventa reais e tinha onde estacionar o carro. Tomei um banho gelado mas nem assim o calor aliviou. Ligamos o ar-condicionado na maior potência possível e demos uma boa dormida no final da tarde, o que proporcionou aquela revigorada sensacional.

 Lá pelas 6h da tarde eu acordei e comecei a fuçar na internet um lugar bacana para a gente comer. E achamos um lugar chamado “O famoso bar do Justo”. Ficava a menos de 10 minutos do nosso hotel. Como queríamos tomar cerveja e já não aguentávamos mais dirigir, deixamos o carro no hotel e pegamos um Uber. Até daria para ir caminhando, mas o meu pé estava doendo muito.

 Olha, o restaurante não é lá muito barato, mas valeu cada centavo investido ali! Que comida deliciosa! Eu estava muito a fim de comer a almondega que foi a recomendação virtual. E eu entendi o motivo. Com uma vinagrete de cebola e pimentão verde, o bolinho de carne era suculento, macio, com uma carne de excelente qualidade e um tempero que faz a gente suspirar. Depois o garçom nos indicou uma coxinha de costela, que a carne fica um dia inteiro no forno mas antes ficou dois dias nos temperos. E a massa é feita de mandioca e grão de bico, acompanhada de um aioli espetacular. Por fim, pedimos uma pancetta acompanhada de geleia de pimenta que, francamente, a minha vontade era de ir lá na cozinha aplaudir o cozinheiro. Nota mil!

 Exaustos, alimentados, levemente embriagados, voltamos para o hotel e tivemos uma noite dos justos.

 Dia seguinte: pegar a estrada para o litoral paulista.

 

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