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Antes de ontem passeamos pelas ruas e calçadas de Praga. Conheço várias cidades do mundo, em três continentes. E posso dizer, sem sombra de dúvidas, que a capital da República Tcheca é a cidade mais linda e simpática que já conheci em toda a minha vida!

Começamos o dia tomando um café da manhã reforçado em casa. Eu me senti muito “master chef” usando um fogão tcheco para fazer ovos mexidos. Eles usam fogões elétricos (acho que só no Brasil que a gente usa o a gás), e apanhei um pouco para entender como funcionava o exaustor. Mas, no final das contas tudo deu certo. Meu filho foi no mercado e comprou sonhos (são recheados com geleia de damasco e não com creme), queijo, presunto e um bolo de chocolate. Se tem uma coisa que eu fiquei morrendo de vontade de ter na minha casa foi a chaleira elétrica deles.



Lá pelas 10 horas saímos de casa e fomos ao Museu do Comunismo. Foi a única decepção que eu tive em Praga. O ingresso foi o quase o mesmo valor do que pagamos no Castelo de Praga (cento e noventa coronas por pessoa) para não ver nada de bom. O museu está bem detonado, as informações desatualizadas e, se você não falar inglês, não terá como aproveitar nada. Minha mãe ficou boiando, tadinha. E o valor é tão mais alto do que ele oferece, que em menos de uma hora vemos tudo o que temos que ver. Não vale a pena. Mas, como diz o meu enteado, se a gente não tivesse ido não teria como saber.



Depois ficamos batendo perna pelo centro e vi que existem várias opções de shows, balés, peças de teatro, óperas… Praga é uma cidade absurdamente rica em cultura, o que me enlouqueceu. Já planejo uma outra viagem para essa cidade maravilhosa, onde eu possa ficar pelo menos uns 10 dias aproveitando tudo o que ela oferece.



Almoçamos em um restaurante bem no centro da cidade, onde as mesas ficam do lado de fora e os garçons são muito solícitos. (Quando eu estava caminhando para o restaurante passei por dois rapazes ingleses que estavam sentados em um banquinho da praça, tomando cerveja. Um deles terminou de beber e colocou a lata no chão, na mesma hora saiu o segurança da loja atrás e deu um berro para que eles jogassem no lixo. Muitas palmas para o segurança!)



De tarde saímos para bater mais perna. Fomos até uma ponte (que eu idiotamente não anotei o nome) que dá a vista completa do Castelo de Praga. Lá tem o rio Vltava, que ao seu redor tem restaurantes, cafés e bares. Muitas lojinhas alugam pedalinhos e caiaques. Eu, minha mãe, Samuel e Luiz alugamos um para nós quatro. Que coisa mais deliciosa do mundo! Por uma hora ficamos pedalando, pegando um solzinho, curtindo a vida. Confesso que volta e meia passava pela minha cabeça: “Meu Deus, que loucura! Estou andando de pedalinho em Praga, com minha mãe, meu filho e meu marido. Eu não poderia ser uma pessoa mais abençoada”.



Depois que saímos do pedalinho, fizemos um programa completamente europeu. Ficamos sentados na grama, no parque, pegando um sol, tomando uma cerveja e aproveitando a vida. Relaxante! Chique! Delicioso!

No final da tarde completamos a caminhada pela ponte e era turista para todo lado! Gente do mundo todo admirando as belezas desse lugar que, segundo Kafka, "Praga não deixa a gente ir embora, esta velha tem garras". A vista do Castelo com o sol se pondo é algo para ficar registrado por toda a vida na minha cabeça. Juro que nunca cheguei nem perto de ver algo tão lindo.



Às 8 horas da noite eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida! Nós assistimos a um concerto na Igreja de São Francisco. Eu não sou capaz de retratar com fidelidade o que senti. Foram os 17 euros melhores empregados em toda a minha existência.  Um tenor, uma soprano, um órgão, uma Igreja linda e antiga, e as pessoas que eu mais amo no mundo ao meu lado. Acho que nem preciso falar mais nada…

Saímos dali nas nuvens.

De noite passeamos pela praça da cidade antiga, onde fica o famoso relógio astrológico. De hora em hora a imagem de Cristo e seus doze apóstolos gira por uma portinhola, e as pessoas se juntam para assistir. Vimos ainda lindos prédios, esculturas, gente bonita e alegre, e a vida pulsando em nossas veias. As garras de Praga já agarraram meu coração.

Ontem, acordamos bem cedinho e pegamos a estrada de volta para a Holanda. Passamos o dia na estrada, e meus pensamentos ficaram durante toda o percurso em Praga. Ir embora dali é uma coisa muito difícil.

 

 

 

 

 

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Ontem eu conheci o lugar mais magnífico que eu poderia imaginar em toda a minha vida. Foi como se tivessem tirado a minha alma e me levado para uma outra dimensão. Até agora estou me perguntando se aconteceu de verdade ou se é tudo imaginação da minha cabeça.

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Fomos a um castelo medieval de verdade! O Castelo de Praga é um local que todas as pessoas no mundo deveriam conhecer, um ponto obrigatório na vida, como beber água ou fazer xixi. É deslumbrante, enriquecedor e esclarecedor.

Passamos o dia inteiro nele. O primeiro passeio é ao lado do castelo, em uma espécie de jardim botânico. Os reis faziam questão de trazer árvores e plantas de diversos lugares do mundo para demonstrarem o quanto de dinheiro seu reino possuía. Caracas! É de encher os olhos. E o local é muito lindo, tão lindo, mas tão lindo que se a gente ficasse só ali passeando entre as plantas o dia todo, a viagem inteirinha já teria valido a pena.

Depois vamos para o castelo propriamente dito. Funciona assim: existem lugares do castelo que são gratuitos, e lá dentro são dois trechos, um mais barato curto e um mais longo e caro. O maior pode ser feito em dois dias. Como nós não teríamos tempo de conhecer tudo e a programação de hoje tem vários museus, resolvemos fazer o menor. Além dos tíquetes que custaram 250 coroas tchecas, ainda paguei 50 coroas para ter a permissão de tirar fotos.

A primeira parte era a catedral do castelo. Eu nunca tinha visto nada tão bonito e grande ao mesmo tempo. Muitas pinturas no teto, vitrais, estátuas… Uma pessoa que entendesse de história da arte ali ficaria enlouquecida. Confesso que me deu uma agoniazinha quando passamos pelos túmulos. Eu sou uma medrosa assumida! Falando em túmulo, o que mais atraía fotógrafos e curiosos era o de São Nicolau.

Vimos o local onde aconteciam aqueles banquetes e festas. Fiquei me imaginando em um filme, usando aqueles vestidões enormes e bebendo em taças de prata. Em uma saletinha ao lado tinha o trono do Rei. Imagino que ali ele escolhia quem ia degolar e qual o próximo reino que ele queria invadir. E em outra sala anexa, uma pequena biblioteca com livros enormes.

Tinha o quarto do alquimista que parecia muito com a sala do Professor Snape, do Harry Potter. Cheio de tubos de ensaios e garrafas de vidro em formatos curiosos. A cama era pequena e larga, e meu marido ficou me zoando dizendo que eu poderia ser a alquimista pois cabia na cama (dramas de mulher baixinha).

Um momento muito legal foi quando atiramos com uma “besta”. É uma espécie de arco e flecha, mas daqueles de verdade, que os arqueiros usavam para proteger o castelo. Cada um poderia dar três tiros, e eu incrivelmente errei todos! (Ainda bem que eu era a alquimista…) Pelo visto o nosso guardião seria o Luiz pois foi o que fez mais pontos.

Meu marido me deu um lápis com um cristal swarovisk na ponta! Me achei a rainha da nobreza da República Tcheca! Chupa, mundo!

Passamos pela viela onde moravam a pequena burguesia, em suas casinhas minúsculas e uma ao lado da outra, destoando completamente do palácio enorme e espaçoso, onde os nobres ficavam.

Vimos uma exposição de armaduras e espadas. Uma loucura imaginar que eles conseguiam andar, lutar e correr carregando aquele peso todos. Deveriam ser incrivelmente fortes.

O mais impressionante era saber que aquilo tudo ali era de verdade, existiu mesmo e faz parte da nossa história. Aquilo que aprendemos nas aulas de história, vemos nos livros e filmes, toma forma e ficamos assim, boquiabertos, pensando em como o ser humano é grande na sua formação e pequeno na criação do todo.

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Ontem tivemos o primeiro dia realmente turístico, o que foi muito bom, diga-se de passagem.

Bem, de manhã tomamos um café da manhã muito gostoso no hostel, por sete euros. Uma das coisas que eu mais gostei ao ficar hospedada em um hostel é a possibilidade de ver gente de tudo quanto é canto do mundo. E sempre que eu entro no elevador pergunto de onde as pessoas são. Já falei com gente da Suíça, do México, da Austrália, dos Estados Unidos, do Japão e, obviamente, do Brasil (sempre tem brasileiro em qualquer canto do mundo).

Depois saímos para pegar um ônibus turístico. Ele custou dezessete euros e é válido para o dia todo. Funciona assim, você compra um tíquete em qualquer um dos pontos em que ele para. (Os ingressos dos pontos turísticos não estão inclusos.) Nós pegamos em frente à torre de TV, que é pertinho de onde estamos hospedados. Lá tem um guia turístico que fala em alemão e em inglês, mas existe a possibilidade de outro ônibus que eles falam em alemão e espanhol. A gente pode descer em todos os pontos turísticos que quiser, e depois pegar um outro ônibus da mesma companhia, para terminar o passeio. A última corrida acontece às seis da tarde.



Vimos tudo de importante da cidade de Berlim, mas algumas coisas me chamaram a atenção.

O monumento em homenagem às vítimas do holocausto é algo que dá um nó na garganta, é impossível não se emocionar. No ônibus a guia turística nos disse “esse é um lugar que não tem entrada e nem tem saída. É grátis, aberto e livre. Não tem o que explicar e nem tem o que dizer. Temos apenas que sentir”. É um lugar muito grande, olhando de fora parece apenas umas pedras de concreto uma ao lado da outra, de diferentes tamanhos. Mas quando a gente entra, se sente ridículo, mínimo e triste, pensando nas milhares de pessoas mortas, graças à crueldade humana. Saí dali muito abalada.



Mais um lugar que nos faz parar e pensar no que o ser humano é capaz de fazer é uma espécie de parque em homenagem aos ciganos. Existiam campos de concentração especialmente feitos para matá-los. Tem um espelho d'água com escrituras no chão, e que refletem na água frases como “lábios frios” ou “coração quebrado”. No meio do espelho tem uma rosa. E nas pedras em volta os nomes dos grupos ciganos que foram dizimados.



Quando passamos no Portão de Brandemburgo e no muro de Berlim, foram momentos onde pensei “meu Deus, estou nos livros de história”. Saber o que aquilo ali representa para a história do mundo e estar ali é uma loucura. Juro que fiquei muito feliz de saber que eu faço um diário de viagem e que um dia meus netos poderão ler isso e saber que a avó deles teve a oportunidade de estar ali.



Mas um dos momentos mais emocionantes do dia foi exatamente o último ponto onde passamos, a torre de TV. Era o prédio mais importante da antiga Alemanha comunista. A gente sobe 203 metros em 46 segundos! Dá um frio na barriga! E lá em cima tem um observatório onde vemos toda a cidade. É lindo, é mágico, é encantador.

Pode parecer besteira, mas eu ainda não to acreditando que estou aqui. Que loucura! Eu entrei em um livro de história recente do mundo. Sou uma felizarda de ter essa oportunidade. E meu coração transborda de alegria e gratidão.

Estou agora indo embora de Berlim. A minha impressão do povo alemão é que eles são muito sérios, meio bravos e donos de um humor ácido. São muito prestativos, organizados e práticos. O trânsito não é dos melhores mas também não chega nem perto de ser ruim como em São Paulo ou no Rio. Tudo é caro e todas as comidas são temperadas com curry. As pessoas são muito bonitas mas se vestem de maneira esquisita. Eu fui muito paquerada, muitas vezes mesmo estando de mãos dadas com o meu marido. É como se os alemães dissessem “a casada é você, eu sou solteiro”. Em três palavras: práticos, paqueradores e sérios.

 Nos reencontraremos em breve, Berlim.


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Saímos de Berlim logo cedo e pegamos o carro rumo a Praga. Vivemos uma pequena aventura que eu chamei de o “terrível dia em que não encontrávamos nunca um posto de gasolina”. O carro me avisando freneticamente que o combustível estava acabando e nada de a gente encontrar os postos que o GPS nos avisava. Foi o primeiro estresse de verdade que passamos desde que chegamos aqui.

Mas, finalmente conseguimos encontrar um já na saída da cidade. Aproveitei para descer na lojinha de conveniência e comprei uma espécie de almôndega, que servem com um pão, bem gostoso. O café em Berlim é muito caro. Não encontrei nenhum lugar que custasse menos de dois euros e cinquenta. Deve ter em outros lugares menos turísticos, mas infelizmente não tive tempo de descobrir.

Seguimos na estrada rumo à República Tcheca. Mais uma vez fiquei impressionada com a mudança que acontece nas estradas e na paisagem assim que atravessamos a fronteira. E, obviamente, nas placas. Me deu muita agonia porque eu não entendia absolutamente nenhuma palavra em canto nenhum, e não existia nenhuma referência em inglês. Fiquei pensando “se esse povo for tão bravo como o povo alemão, vou tomar mais uma meia dúzia de foras por aqui”.

Mas, para minha surpresa, assim que paramos em uma lojinha de conveniência para esticar as pernas depois de 4 horas de viagem (uma viagem deliciosa, divertida e que passou muito rápido) e usar o banheiro, minha mãe e meu enteado perguntaram para a atendente (na mímica) e ela foi de uma simpatia única! Mostrou onde era o banheiro e nos ensinou como ele se chamava (a palavra parece muito com “toalete”, facilitando a nossa vida), nos ensinou como usar a máquina de café e nos deu muitos sorrisos.

Seguimos para a casa que alugamos em Praga, mas o passeio por dentro do país até chegar lá é deslumbrante. Uma paisagem maravilhosa, casinhas lindas, rios, castelos… Fiquei de boca aberta, tirando um milhão de fotos e filmando tudo.

Por fim, chegamos no nosso destino. A dona da casa é uma senhorinha muito legal. Não fala uma palavra de inglês, mas não tirava o sorriso do rosto, se esforçou para nos ensinar tudo e, no seu tcheco misturado com o nosso português, conseguimos entender onde pegar ônibus, onde pegar metrô e onde tinha um mercadinho. A casa é uma gracinha, muito bem mobiliada e dá vontade de ficar muito mais que três dias, que foi a nossa reserva.

Fomos ao mercadinho comprar coisas para lancharmos, cerveja, tira-gosto, essas coisas. Aqui não se usa o euro e sim a Coroa Tcheca, mas no mercadinho o atendente recebeu nossos euros e nos deu o troco na moeda local. Aliás, a moeda local dá um capítulo à parte. Ela tem notas de valor enorme, tipo 1000, 500. E tem umas moedas que valem 50, 20. As coisas têm um valor nominal muito alto, e eu to feliz da vida, pois de acordo com o meu marido nossa moeda vale mais. Assim, baratearam um pouco os preços absurdos que a gente vinha gastando na Alemanha.

Já eram umas cinco horas da tarde. Pegamos um táxi e seguimos para o centro da cidade. O taxista falava inglês fluentemente e era lindo! Mas lindo mesmo, do tipo modelo de capa de revista. Ele foi extremamente simpático com a gente, nos deu altas de dicas de onde comer, onde sair para tomar um chopp e onde trocar o nosso dinheiro.

Chegamos e nos deparamos com o centro de cidade mais bonito que eu já vi em toda a minha vida. Parece uma cidade antiga, e é bem cuidada, limpa, organizada. Foi a maior concentração de gente bonita por metro quadrado que eu já presenciei em toda a minha existência!

Rodamos por todo o centro. Várias lojas de orientais vendem produtos derivados da maconha, como pirulitos, balas, chocolates e até temperos para carne. Nessas mesmas lojas vendem cervejas (finalmente elas estão geladas!) e cigarros.

Paramos em um pub muito legal! A atendente deu em cima do meu marido o que o fez ficar com a auto estima encostando no céu, pois ela era linda (assim como o resto de todo mundo que estava ali dentro). Na mesa ao lado uns 20 caras comemoravam a despedida de solteiro de um deles, e tentaram puxar papo comigo e com a minha mãe, mas é quase impossível conversar nessa língua.

Eu bebi uma sangria deliciosa, e depois um drink com proseco. Minha mãe e o Samuel beberam cervejas geladas. Pedimos um frango super apimentado, com vegetais e um molho de queijo. Tudo delicioso!

No final, voltamos de metrô. A viagem foi rápida, barata e confortável. O trem é limpo, seguro. As portas não se abrem automaticamente, temos que apertar um botão. E se eu não visse alguém o fazendo ia ficar na frente da porta o resto da minha vida, pois nunca desconfiaria.

Estou impressionada com a beleza e a simpatia desse povo.

 

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A noite no Generator foi tranquila. Eu nunca tinha me hospedado em um hostel e descobri que é muito legal. Por todos os lugares que a gente anda sempre encontra jovens do mundo todo, falando em tudo quanto é idioma que se possa imaginar.
Na próprio hostel tomei um delicioso copo de café com leite. Sério! Delicioso mesmo! Um leite cremoso, diferente. Eu nem gosto de leite, mas adorei.


Como tinha acontecido aquele rolo com a nossa reserva, não iríamos ficar um dia a mais nesse hostel, então aproveitamos o wi-fi e encontramos outro lugar para ficarmos hospedados, o “One 80”. É um outro hostel, e nos reservaram um quarto com 5 camas, ou seja, ficamos todos nós em um único quarto. A diária fica 27 euros por pessoa, sem café da manhã.
Pegamos um táxi para transportar todas as nossas coisas, pois o carro estava estacionado um pouquinho longe e já tínhamos pago para que ele ficasse lá por 24 horas (22 euros). Eu fiquei me achando a rainha da cocada preta. O táxi era nada mais, nada menos que uma Mercedes. A corrida deu 8 euros, mas a minha sensação de “chiqueza” era o equivalente a uns 200 euros. No fim do dia encontramos outro estacionamento mais barato, por 12 euros a diária.
O problema é que chegamos 10 horas da manhã e o check-in só poderia ser feito duas horas da tarde. Sendo assim, alugamos um armário no hostel para colocarmos nossas coisas (6 euros para 12 horas) e fomos andar pelo centro de Berlim.
Eu sempre imaginei que, por ser uma capital tão importante da Europa, o centro seria um pouco mais lotado, como São Paulo. Mas, para minha surpresa, é uma cidade grande mas não tão agitada. Estávamos do lado da antiga Alemanha comunista, que tem ainda alguns resquícios na arquitetura. Tem a torre de TV, que é uma construção enorme e imponente, e que era o grande marco da Alemanha comunista. Nós ainda subiremos lá para ver toda a cidade de Berlim, mas só de olhá-la já dá para perceber a imponência do cavalo, Ivair!


Passamos em uma feira de cultura africana. Muito legal!!!! Várias barraquinhas com comidas típicas (mas também tinha comida de outros lugares além dos países do continente africano) e vários produtos de decoração, roupas e etc. Comi um kebab dos deuses! É um pão que eles colocam na chapa, dentro vai uma carne (tipo aquela do churrasco grego de São Paulo) bem apimentada, e muitos legumes (uma batata em rodelas que dava uma suavidade incrível no meio da pimenta), saladinha verde com alface americana, cebola picadinha e tomate. Custou 5 euros e foi uma refeição completa. Tomei uma cerveja bem gostosa.
Aliás, nesse quesito cerveja, algumas curiosidades alemãs. Primeiro, a cerveja é uma garrafa de 500ml, que é individual e todo mundo bebe no bico. Não tem essa coisa de abrir uma garrafa e pegar copos para todo mundo. É bem ogra a coisa. E pelo que eu notei o povo aqui toma mais cerveja que no Brasil. Outra coisa, a cerveja nunca vem gelada de verdade, e olha que estamos no verão e está bastante calor. No máximo está um pouco resfriada, mas gelada, nunca. E elas são bem mais encorpadas que as cervejas brasileiras, um pouco mais amargas. Mas ainda assim o sabor é ótimo.
Também fomos em um shopping popular. Entramos em uma loja de departamentos e meu marido comprou umas camisetas de 2 euros e meu filho um chinelo de 4 euros. Tinha muita coisa, mas nada atraiu minha atenção. Achei as coisas baratas mas de uma qualidade não muito boa.
Algo que me chamou atenção nas ruas de Berlim foi o elevado número de mendigos e pedintes. Parece-me que são refugiados sírios, e eles tentam falar com a gente em inglês, pedem comida e dinheiro. É uma pobreza diferente da que a gente vê no Brasil. Me deixou um tanto triste ver essa realidade de perto.
O povo alemão tem um humor que nem todo mundo vai conseguir entender. Eles nos dão alguns foras e eu levei um certo tempo para compreender que era brincadeira. Vou dar uns exemplos:
 
(SAMUEL) Tenho uma reserva nesse hostel. (I have e reservation in this hostel.)
(MOÇO DO HOTEL) Bom pra você. (Good for you!)
 
(LUIZ) Vocês tem wi-fi? (Do you have wi-fi?)
(MOÇA DO RESTAURANTE) Não, aqui nós conversamos. (Don't. Here we talk.)
 
(LUIZ) Você poderia me dar um copo d'água? (Can you give me a glass of water?)
(GARÇONETE) Se você disser por favor, eu posso. (If you ask "please", I can.)
 
No fim do dia, o Yuri foi tocar tambor na frente do hostel e, além de juntar uma galera ao redor dele, ainda faturou 12 euros. Músicos do Brasil, animem-se! Para comemorar, pedimos um Pitcher.