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Ontem tivemos o primeiro dia realmente turístico, o que foi muito bom, diga-se de passagem.

Bem, de manhã tomamos um café da manhã muito gostoso no hostel, por sete euros. Uma das coisas que eu mais gostei ao ficar hospedada em um hostel é a possibilidade de ver gente de tudo quanto é canto do mundo. E sempre que eu entro no elevador pergunto de onde as pessoas são. Já falei com gente da Suíça, do México, da Austrália, dos Estados Unidos, do Japão e, obviamente, do Brasil (sempre tem brasileiro em qualquer canto do mundo).

Depois saímos para pegar um ônibus turístico. Ele custou dezessete euros e é válido para o dia todo. Funciona assim, você compra um tíquete em qualquer um dos pontos em que ele para. (Os ingressos dos pontos turísticos não estão inclusos.) Nós pegamos em frente à torre de TV, que é pertinho de onde estamos hospedados. Lá tem um guia turístico que fala em alemão e em inglês, mas existe a possibilidade de outro ônibus que eles falam em alemão e espanhol. A gente pode descer em todos os pontos turísticos que quiser, e depois pegar um outro ônibus da mesma companhia, para terminar o passeio. A última corrida acontece às seis da tarde.



Vimos tudo de importante da cidade de Berlim, mas algumas coisas me chamaram a atenção.

O monumento em homenagem às vítimas do holocausto é algo que dá um nó na garganta, é impossível não se emocionar. No ônibus a guia turística nos disse “esse é um lugar que não tem entrada e nem tem saída. É grátis, aberto e livre. Não tem o que explicar e nem tem o que dizer. Temos apenas que sentir”. É um lugar muito grande, olhando de fora parece apenas umas pedras de concreto uma ao lado da outra, de diferentes tamanhos. Mas quando a gente entra, se sente ridículo, mínimo e triste, pensando nas milhares de pessoas mortas, graças à crueldade humana. Saí dali muito abalada.



Mais um lugar que nos faz parar e pensar no que o ser humano é capaz de fazer é uma espécie de parque em homenagem aos ciganos. Existiam campos de concentração especialmente feitos para matá-los. Tem um espelho d'água com escrituras no chão, e que refletem na água frases como “lábios frios” ou “coração quebrado”. No meio do espelho tem uma rosa. E nas pedras em volta os nomes dos grupos ciganos que foram dizimados.



Quando passamos no Portão de Brandemburgo e no muro de Berlim, foram momentos onde pensei “meu Deus, estou nos livros de história”. Saber o que aquilo ali representa para a história do mundo e estar ali é uma loucura. Juro que fiquei muito feliz de saber que eu faço um diário de viagem e que um dia meus netos poderão ler isso e saber que a avó deles teve a oportunidade de estar ali.



Mas um dos momentos mais emocionantes do dia foi exatamente o último ponto onde passamos, a torre de TV. Era o prédio mais importante da antiga Alemanha comunista. A gente sobe 203 metros em 46 segundos! Dá um frio na barriga! E lá em cima tem um observatório onde vemos toda a cidade. É lindo, é mágico, é encantador.

Pode parecer besteira, mas eu ainda não to acreditando que estou aqui. Que loucura! Eu entrei em um livro de história recente do mundo. Sou uma felizarda de ter essa oportunidade. E meu coração transborda de alegria e gratidão.

Estou agora indo embora de Berlim. A minha impressão do povo alemão é que eles são muito sérios, meio bravos e donos de um humor ácido. São muito prestativos, organizados e práticos. O trânsito não é dos melhores mas também não chega nem perto de ser ruim como em São Paulo ou no Rio. Tudo é caro e todas as comidas são temperadas com curry. As pessoas são muito bonitas mas se vestem de maneira esquisita. Eu fui muito paquerada, muitas vezes mesmo estando de mãos dadas com o meu marido. É como se os alemães dissessem “a casada é você, eu sou solteiro”. Em três palavras: práticos, paqueradores e sérios.

 Nos reencontraremos em breve, Berlim.


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A noite no Generator foi tranquila. Eu nunca tinha me hospedado em um hostel e descobri que é muito legal. Por todos os lugares que a gente anda sempre encontra jovens do mundo todo, falando em tudo quanto é idioma que se possa imaginar.
Na próprio hostel tomei um delicioso copo de café com leite. Sério! Delicioso mesmo! Um leite cremoso, diferente. Eu nem gosto de leite, mas adorei.


Como tinha acontecido aquele rolo com a nossa reserva, não iríamos ficar um dia a mais nesse hostel, então aproveitamos o wi-fi e encontramos outro lugar para ficarmos hospedados, o “One 80”. É um outro hostel, e nos reservaram um quarto com 5 camas, ou seja, ficamos todos nós em um único quarto. A diária fica 27 euros por pessoa, sem café da manhã.
Pegamos um táxi para transportar todas as nossas coisas, pois o carro estava estacionado um pouquinho longe e já tínhamos pago para que ele ficasse lá por 24 horas (22 euros). Eu fiquei me achando a rainha da cocada preta. O táxi era nada mais, nada menos que uma Mercedes. A corrida deu 8 euros, mas a minha sensação de “chiqueza” era o equivalente a uns 200 euros. No fim do dia encontramos outro estacionamento mais barato, por 12 euros a diária.
O problema é que chegamos 10 horas da manhã e o check-in só poderia ser feito duas horas da tarde. Sendo assim, alugamos um armário no hostel para colocarmos nossas coisas (6 euros para 12 horas) e fomos andar pelo centro de Berlim.
Eu sempre imaginei que, por ser uma capital tão importante da Europa, o centro seria um pouco mais lotado, como São Paulo. Mas, para minha surpresa, é uma cidade grande mas não tão agitada. Estávamos do lado da antiga Alemanha comunista, que tem ainda alguns resquícios na arquitetura. Tem a torre de TV, que é uma construção enorme e imponente, e que era o grande marco da Alemanha comunista. Nós ainda subiremos lá para ver toda a cidade de Berlim, mas só de olhá-la já dá para perceber a imponência do cavalo, Ivair!


Passamos em uma feira de cultura africana. Muito legal!!!! Várias barraquinhas com comidas típicas (mas também tinha comida de outros lugares além dos países do continente africano) e vários produtos de decoração, roupas e etc. Comi um kebab dos deuses! É um pão que eles colocam na chapa, dentro vai uma carne (tipo aquela do churrasco grego de São Paulo) bem apimentada, e muitos legumes (uma batata em rodelas que dava uma suavidade incrível no meio da pimenta), saladinha verde com alface americana, cebola picadinha e tomate. Custou 5 euros e foi uma refeição completa. Tomei uma cerveja bem gostosa.
Aliás, nesse quesito cerveja, algumas curiosidades alemãs. Primeiro, a cerveja é uma garrafa de 500ml, que é individual e todo mundo bebe no bico. Não tem essa coisa de abrir uma garrafa e pegar copos para todo mundo. É bem ogra a coisa. E pelo que eu notei o povo aqui toma mais cerveja que no Brasil. Outra coisa, a cerveja nunca vem gelada de verdade, e olha que estamos no verão e está bastante calor. No máximo está um pouco resfriada, mas gelada, nunca. E elas são bem mais encorpadas que as cervejas brasileiras, um pouco mais amargas. Mas ainda assim o sabor é ótimo.
Também fomos em um shopping popular. Entramos em uma loja de departamentos e meu marido comprou umas camisetas de 2 euros e meu filho um chinelo de 4 euros. Tinha muita coisa, mas nada atraiu minha atenção. Achei as coisas baratas mas de uma qualidade não muito boa.
Algo que me chamou atenção nas ruas de Berlim foi o elevado número de mendigos e pedintes. Parece-me que são refugiados sírios, e eles tentam falar com a gente em inglês, pedem comida e dinheiro. É uma pobreza diferente da que a gente vê no Brasil. Me deixou um tanto triste ver essa realidade de perto.
O povo alemão tem um humor que nem todo mundo vai conseguir entender. Eles nos dão alguns foras e eu levei um certo tempo para compreender que era brincadeira. Vou dar uns exemplos:
 
(SAMUEL) Tenho uma reserva nesse hostel. (I have e reservation in this hostel.)
(MOÇO DO HOTEL) Bom pra você. (Good for you!)
 
(LUIZ) Vocês tem wi-fi? (Do you have wi-fi?)
(MOÇA DO RESTAURANTE) Não, aqui nós conversamos. (Don't. Here we talk.)
 
(LUIZ) Você poderia me dar um copo d'água? (Can you give me a glass of water?)
(GARÇONETE) Se você disser por favor, eu posso. (If you ask "please", I can.)
 
No fim do dia, o Yuri foi tocar tambor na frente do hostel e, além de juntar uma galera ao redor dele, ainda faturou 12 euros. Músicos do Brasil, animem-se! Para comemorar, pedimos um Pitcher.

 

 

 

 

 

 

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Estou neste momento sentada em uma varanda na cidade de Laag Zuthen, na Holanda, pensando em como a vida pode ser uma coisa realmente boa. A temperatura está agradável, tanto que consigo ficar sentada na varanda, do lado de fora, vestindo apenas uma bermuda e uma camisa de manga comprida mas de um tecido fino.

Me sinto como uma personagem de filme, fazendo anotações no meu bloquinho enquanto degusto uma xícara de expresso, apreciando a paisagem bucólica. São 06:40 am e o silêncio é delicioso. O único barulho constante é dos pássaros que não param de cantar. Vez por outra passa um carro e com mais frequência uma bicicleta. Acredito que sejam as pessoas indo para os seus afazeres da segunda-feira.

A rua tem por volta de quinze casas, sendo uma delas a hospedaria que estou com a minha família. As residências são todas amplas e confortáveis, em estilo germânico, lembrando os antigos contos de fada. O local é repleto de belas árvores e plantas bem cuidadas, com belos jardins.

Ontem chegamos de viagem depois de um excelente voo. Saímos de Guarulhos e nossa escala foi em Madri. Viemos pela Cia Ibéria e eu a recomendo veementemente. Cadeiras confortáveis, excelente serviço de entretenimento a bordo (assisti uns quatro filmes) e a comida surpreendentemente estava gostosa. As nove horas que passamos dentro do avião foram bastante agradáveis.

Ao desembarcarmos em Madri (eu fiquei muito feliz porque ganhei um novo carimbo no passaporte) passamos pela imigração com tranquilidade. Não sei se é porque estou acostumada com os Estados Unidos, onde eles só faltam perguntar a cor da minha calcinha, na Espanha o rapaz do guichê nem deu bola pra gente, apenas conferiu as nossas passagens e liberou a nossa entrada para esse mágico e lindo continente Europeu.

Tínhamos uma espera de duas horas no aeroporto, e eu aproveitei para treinar meu espanhol, o que fez o Samuel, meu marido, e o Yuri, meu enteado, ficarem me zoando. Mas eu sou uma apaixonada por aprender novos idiomas e sempre que eu posso converso com pessoas de outras países, tentando absorver mais um pouquinho de cultura. Sendo assim, espalhei muitos “buenos dias” e “gracias” no aeroporto, achando-me a fluente em espanhol!

Às 08:50 am pegamos nosso segundo avião, rumo a Amsterdã. Como eu fiquei o outro voo todo vendo filmes, neste eu estava morta de cansada e acabei dormindo o tempo todo. O avião era um desses comuns, de voo doméstico. Muito engraçado isso, a gente sai de um país europeu e vai para outro país europeu como se estivesse saindo do Rio de Janeiro e desembarcando em Porto Alegre.

No aeroporto de Amsterdã nossas bagagens demoraram a sair e eu estava absurdamente agoniada, porque meu filho já estava me esperando do lado de fora. Para uma mãe, encontrar o seu filho depois de um ano de muitas saudades é algo muito difícil de colocar no papel. O coração fica apertadinho e a vontade de chorar é inevitável. O abraço que dei nele foi tão emocionado que umas senhoras que estavam ao lado se emocionaram junto.

Tínhamos que esperar mais ou menos uma hora até chegar o voo da minha mãe, que saiu de Brasília e fez escala em Lisboa. Esse foi o tempo de rodar pelo aeroporto. Ele é um shopping e tem até supermercado dentro. Não demorei a tomar a minha primeira Heineken de verdade e também comemos batata frita (o surpreendente da batata é o molho que a acompanha. Delicioso! Feito de pasta de amendoim, então é adocicado e apimentado ao mesmo tempo. Quero levar um pote enorme para levar para casa). Foi barato, pois uma porção que deu para nós quatro custou apenas 3 euros e 10 centavos. Também tinham muitas lojas de flores, balões e essas coisas que as pessoas entregam para as pessoas que estão desembarcando.

   

Quando a mamãe chegou (e o reencontro dela com o neto foi outro momento de muita emoção) fomos alugar o carro. Mais uma vez eu esperava a burocracia que a gente sempre enfrenta nos Estados Unidos, mas foi muito tranquilo! Rápido, sem filas e sem mimimis. Para os 20 dias que ficaremos na Europa pagamos 450 euros, em um carrão cheio de "frufrus" que faz o Uno velho que eu dirijo no Rio ficar meio envergonhado.

Dali do aeroporto, viemos aqui para Laag Zuthen. A viagem é de mais ou menos uma hora e quarenta minutos, completamente sem trânsito, com pistas maravilhosas e motoristas educados. Momento que eu não senti a menor falta do Rio de Janeiro, confesso. No meio do caminho paramos em um restaurante que também é um observatório e tinham famílias reunidas pegando um solzinho, andando de bicicleta e muitos veleiros passeavam no canal que ficava ao lado. De acordo com o Yuri, que foi o único a ir ao banheiro, foi a melhor experiência em fazer xixi na vida dele, pois o cômodo tinha música, plantas e uma decoração que fazia vontade de deitar no chão do banheiro e ficar lá para sempre.

Quando chegamos em Laag Zuthen viemos para a nossa hospedaria que fica a três casas de onde o Luiz, meu filho, está morando. Ele nos deixou primeiro onde ficaríamos hospedados, pois estávamos realmente precisando de um banho, e o lugar é muito legal. É uma casa, de um casal holandês, eles chamam o lugar de “bad and breakfast” (cama e café da manhã). É muito confortável e quentinha. Dá vontade de vir no inverno, ficar aqui dentro olhando a neve e tomando chocolate quente. Contudo estamos no verão, com uma temperatura agradável, pessoas usando camisetas e shorts, e mesmo assim o lugar é bastante acolhedor.

Dali seguimos para conhecer a família que recebeu o Luiz e meu coração se inundou de alegria. Eles são pessoas doces e maravilhosas, que nos trataram com o maior carinho do mundo. Nós tomamos cerveja e vinho com eles, e jantamos uma comida deliciosa! Uma torta de espinafre que eu já pedi a receita e tentarei fazer em casa, uma batata com repolho e um creme branco que eu desconfio que tinha noz moscada e que deixou um sabor único e almôndegas. Um espetáculo! Ah, antes eles serviram uma sopa de vegetais tipicamente holandesa. E, por fim, uma sobremesa também típica, uma espécie de flan de baunilha com maçã e a outra de baunilha com chocolate.

Toda a família falava inglês, o que facilitou muito a nossa comunicação. O holandês é uma língua muito bonita, contudo muito difícil. Eu fiquei impressionada com a desenvoltura do meu filho. Aliás, o que mais me impressionou foi o fato e ele falar três idiomas ao mesmo tempo, pois salvava quando alguém se perdia no inglês, ele traduzia do holandês para o português e vice-versa. Fiquei em um momento “mãe boba e orgulhosa”.

Já eram umas oito horas da noite e ainda estava dia claro. Mas bem claro mesmo, tanto que eu achei que eram umas 4 horas da tarde. Meu relógio interno ainda não se ajustara muito bem às cinco horas de diferença do fuso horário, e essa coisa de ser claro até tardão deixou meus sentidos um pouco mais confusos. Após o jantar demos uma caminhada em uma trilha. Fiquei impressionada com a beleza. É uma espécie de floresta, com o que eu acredito ser um riacho (mas pode ser um canal, por que parece-me que aqui tem canal por todo lado), cheio de árvores. E tudo muito bem cuidado, planejado, organizado.

Depois da caminhada, voltamos para a casa, e o Yuri nos presenteou com algumas músicas dele, tocando tambor e violão. E lá pelas dez horas da noite, voltamos para dormir, e ainda não era noite fechada. Foi um dia meio mágico, com uma sensação cinematográfica e muita paz. Minha vontade é ficar aqui para sempre, escrevendo livros e convivendo com esse povo tão bonito e educado.

 

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O dia de ontem foi muito cansativo, porém extremamente divertido e enriquecedor. Acordamos cedo em Laag Zuthen, e meu filho foi logo encontrar conosco. Na hospedaria, o dono havia perguntado no dia anterior o que gostaríamos de comer no café da manhã e pedimos uma comida tipicamente holandesa. Sendo assim, ele nos serviu bacon com ovos (o bacon é diferente de todos os outros que eu já havia comido. Bem sequinho, sem gordura, uma delícia!), vários tipos de pães, queijos e defumados. Os holandeses comem pão com chocolate granulado, o que meu filho pelo visto gostou bastante. Também tinha iogurte e várias geleias. Não é muito diferente do que estamos acostumados no Brasil.

Por volta das 10 horas nos despedimos da hospedaria (pagamos 22 euros por pessoa, com o café da manhã incluso) e da família que está recebendo o Luiz e fomos dar uma volta na cidade. Que coisa mais linda! Quase ninguém na rua, tudo muito limpo, calmo e silencioso. As pessoas que estavam passeando por ali, todas em suas bicicletas. Dava a sensação que o único carro rodando na rua era o nosso.

Paramos em um supermercado para fazermos comprinhas para a viagem até Berlim. Deu vontade de comprar tudo! Maçãs, peras, nectarinas, morangos… Eu comprei um biscoito delicioso, que é crocante, com uma cobertura de chocolate e pedrinhas de flor de sal em cima (o que aliás estou comendo agora enquanto escrevo meu diário) . O que me impressionou na hora em que abri o pacote é que o biscoito que peguei era exatamente igual ao da foto na embalagem, nada daquilo que acontece no Brasil de a foto do lado de fora ser linda, mas o biscoito ser todo melecado ou amassado. Também pegamos bolachas salgadas, algumas frutas, chocolates, amendoim, salsicha enlatada (coisas do meu marido…) e água. Gastamos 10 euros lá.

Pegamos o carro e colocamos Berlim no GPS. Rodamos por várias ruazinhas lindas na Holanda, atravessando cidades. Ô povo que anda de bicicleta! Gente de todas as idades! Mas depois de mais ou menos uma hora, percebemos que o GPS estava nos levando para o outro lado. Ajustamos e aí sim pegamos o caminho certo.

As pistas na Holanda são ótimas. Dá vontade de dirigir. Eu nunca tinha visto motoristas tão gentis e educados.

 

Eu achava que quando passássemos na fronteira teria pelo menos uma barreira, um posto de fiscalização, alguma coisa assim. Nada disso! Só tem uma placa indicando a mudança de Holanda para Alemanha. Fizemos uma pequena festinha no carro comemorando por estarmos em um novo país.

Na Alemanha a estrada não é tão boa quanto na Holanda e os motoristas não são tão gentis assim. Mas ainda assim, dão de 10 a zero no Brasil (ou de 7x1 se quisermos fazer uma piada futebolística). Passamos o dia todo na estrada. Eu dirigi metade do dia e meu marido a outra metade.

Pagamos dois micos quando fomos abastecer. O primeiro é que eu estacionei errado e não conseguia colocar a mangueira perto, pois aqui o posto é self-service. E depois, quando fomos pagar na loja de conveniência, cheguei falando inglês normalmente, como estávamos fazendo na Holanda. A atendente ficou bem brava comigo.

Por fim, quando chegamos em Berlim e fomos para o apartamento que tínhamos alugado (ou melhor, pensado que) descobrimos que o booking não finalizou a reserva e não tínhamos lugar para dormir. Já era 9 horas da noite, mas o dia ainda estava muito claro, como se fosse umas 4 da tarde. Por isso não ficamos tão preocupados, mas aprendemos que quase ninguém em Berlim fala inglês. Foi agoniante, me senti como uma idiota, e percebi o que os gringos passam na nossa terra. Pelejando muito, conseguimos uma internet e vimos onde tinham hotéis. Ficamos hospedados no Generator onde, para a nossa alegria, todo muito falava inglês e nos trataram muito bem.

Depois de deixarmos as malas, saímos para tomar uma cerveja alemã de verdade. Um copo de um litro custa 4 euros e me relaxou profundamente, da maneira que eu precisava.