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Coração batendo freneticamente já na hora que eu acordo. É exatamente assim que estou hoje: louca, agoniada, esperando que chegue logo a hora de ir para a Bienal e ao mesmo tempo com aquele frio na barriga com o momento que realmente chegar. 

Mas antes de falar da ansiedade de hoje deixa eu falar de como foi o meu dia de ontem! 

Cheguei na Bienal lá por volta de meio-dia. Estava meio vazia, com poucas visitações escolares, mas como era hora de almoço não tinha muita gente. Fui direto para o estande da Qualis onde é o meu quartel-general e já comecei a encontrar amor. Conheci a Lucy, que sempre bateu altos papos virtuais comigo mas nunca tínhamos nos visto. 

Nem bem coloquei os pés no estande e já autografei um 100 dias de sensualidade, que uma leitora linda estava levando. Já fiquei feliz da vida! Depois segui para o estande da Universo dos Livros e encontrei um monte de gente legal, começando pelo meu lindo amigo Danilo Barbosa, que eu estava morrendo de saudades dele.

 

A felicidade cresceu no meu peito pois cheguei no estande da Universo no momento em que eles estavam repondo a pilha do livro Tardes Sensuais, ou seja, já tinha sido vendido bastante. Pense numa mulher que já ficou toda sorrisos… 

Passei um bom tempo ali e aqui, me dividindo entre os dois estandes, espalhando beijos e abraços, e autografando muito! Cara, eu fiquei impressionada em como mesmo com a Bienal tão vazia eu autografei tanto livro! Foi sensacional! 

No final do dia fui convidada para um coquetel muito legal que teve no estande da Astral Cultural. Me senti muito VIP! Um monte de gente bonita, comida e bebida gostosa e muita animação! Foi lindo de bonito! 

Agora hoje… 

Tenho dois eventos. Primeiro, 14h, darei um workshop de escrita criativa com a minha querida amiga Bianca Carvalho, no estande da Amazon. Será muito bacana poder conversar com toda galera que quer escrever no KDP! 

Em segundo e que está me deixando com pedras de gelo na garganta e revoadas de borboletas no estômago, hoje tenho a sessão de autógrafos do Sensualidade e Erotismo para leigos, no estande da Alta Books! Preparei brindes com o maior amor do mundo para meus queridos leitores! Espero ver todo mundo, 17 horas, com o maior sorriso do mundo!!!! 

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E finalmente o dia chegou. Estou em São Paulo, com o coração louco mas pronta para viver todas as emoções que a Disney dos escritores proporciona. É a quarta ou quinta edição que participo e ainda não me acostumei com o frio na barriga que dá. 

Ontem acordei muito mais cedo do que precisava tamanha a ansiedade. Eu só precisava estar no Galeão às 7h, mas às 4h eu já estava de pé fazendo uma décima verificação de tudo o que tinha que levar. Eu enchi duas malas, uma mochila e mais uma caixa de coisas, brindes, amores, roupas, equipamentos eletrônicos… Enfim, uma trabalheira danada. 

Peguei o tal do Uber e segui pro Galeão com o coração na mão, mas já tomei um prejuízo violento na hora de despachar as bagagens. Claro que com esse tanto de coisa a Avianca não ia deixar barato e me cobrou 110 reais de excesso de bagagem. Sofri! 

O vôo foi super tranquilo, com direito a assistir The Big Bang Theory e comer um sanduíchinho daqueles que eles servem, durou 45 minutos. Menos tempo do que levei no Uber do aeroporto de Guarulhos até o apartamento onde ficarei hospedada, que me tomou 50 minutos. 

A Qualis Editora alugou um apartamento para todas as duas escritoras na Bela Vista. É muito lindo! Tem dois quartos grandes, uma sala enorme, e uma cozinha em estilo americano. A decoração é de primeira qualidade e depois eu postarei umas fotos. 

Nem bem deixei as malas no quarto e já rumamos para o Anhembi. O pessoal da entrega dos livros da Qualis já estava lá e tínhamos que ser rápidos. Mas o apê é bem pertinho da feira, o que facilita a vida. 

Assim que cheguei não me queriam deixar entrar. O dia ainda não estava aberto para autores, e eu, com meus planos de filmar e fotografar tudo, fiquei frustrada. Mas aí a Simone Fraga conseguiu me cadastrar como expositora e eu entrei tranquilamente. E pude ver como está tudo ficando lindo! 

Tem estandes enlouquecedores como o da Rocco que criou o universo do Harry Potter. Já tirei várias fotos! O famoso trono da Guerra dos Tronos já está lá e tem uma Mônica gigante que dá vontade de abraçar. 

Mas é claro que os três que eu fiquei mais empolgada são aqueles que têm os meus livros… A Qualis Editora deu um show com uma decoração ampla e moderna, em preto e amarelo, dando maior destaque aos livros. Da área que ela está é de longe o estande mais bonito! A Alta Books me deixou com os olhos cheios d'água ao ver a minha foto em destaque na entrada do estande. Foi a primeira vez que passei por isso e a emoção foi grande. E a Universo dos Livros está pomposa, linda, no meio da Bienal com um design lindo e clássico. 

Muito bem, tenho 10 dias para me dividir entre esses três espaços! Que seja o começo de muita alegria. Hoje eu não tenho nenhum compromisso marcado na agenda, mas estarei por lá, passeando, tirando fotos e vendo amigos, afinal de contas isso é que é o mais importante. 

 

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Chegamos em Bruxelas, na Bélgica, no final da tarde. A princípio a cidade me pareceu pouco acolhedora. Muitos prédios, muitos carros e muita gente emburrada caminhando nas ruas.

Não foi difícil achar o apartamento que alugamos, mas ficamos na dúvida na hora de estacionar. Tinham algumas vagas disponíveis e não vimos nenhum parquímetro. Colocamos em uma vaga relativamente perto do apartamento. Depois descobrimos que tínhamos que colocar dois euros para poder ficar por um período de quatro horas.

Um belga nos recebeu e falou um inglês carregado no sotaque francês. Se teve uma coisa nessa viagem que eu aprendi foi a entender o inglês falado com vários sotaques diferentes. As minhas aulinhas do Fisk e as horas vendo filmes americanos sem legendas não são nada perto da riqueza de ter que conversar com gente do mundo todo, sem o inglês ser a língua nativa deles e nem a minha. Quando dizem que viagem é o único meio de a gente gastar dinheiro e ficar mais rico, acho que estão completamente certos.

O apartamento é uma gracinha. Todo decoradinho com carinho, cozinha completa, dois quartos, uma salinha fofa. Ah, tem uma coisa que venho achando muito interessante em todos os lugares que a gente se hospedou na Europa. O vaso sanitário e o chuveiro ficam em cômodos diferentes. Uma portinha para cada um e isso é ótimo! Assim, enquanto um toma banho, o outro pode usar o banheiro. Prático e eficiente.

Depois de colocarmos nossas malas e pagarmos a hospedagem, eu e Samuel descemos para comprar comida. Com a cozinha completa o melhor a fazer era cozinhar uma comidinha de verdade. Não vimos um supermercado grande, mas sim vários mercadinhos pequenos. Nas calçadas eles colocam expositores com frutas, legumes e verduras. E do lado de dentro, pequenas lojinhas com mantimentos, enlatados, produtos de limpeza… Dá para notar que os belgas não fazem compras de mês, e sim compras diárias.

Percebemos logo que era um bairro muçulmano pelo enorme número de mulheres de véu. Mais uma vez fiquei impressionada. Ou o booking só está indicando hospedarias em bairros muçulmanos ou eles estão realmente em maior número na Europa do que eu imaginava. E algo nem um pouco legal aconteceu. Eu estava vestindo um short e um casaco, além dos meus cabelos esvoaçantes e cacheados chamarem atenção, junto com meus enormes brincos de argola e minha boca com um batom bem vermelho. Vários homens me olhavam de maneira reprovadora, uns até balançavam a cabeça negativamente para mim. E não era nada discreto. Eles olhavam mesmo, reprovavam mesmo. No começo eu me senti constrangida de verdade. Mas depois de alguns minutos caminhando, pensei: estou em um país livre. Se eu tenho que aceitar as mulheres deles usando o véu, eles têm que aceitar as minhas pernas de fora.

No mercado, o rapaz do balcão nem falou comigo. Por mais que fosse eu quem perguntava os preços, pedia o que queria comprar e, por fim, eu que tirei o dinheiro do bolso para pagar as compras, no entanto, ele só se dirigiu ao meu marido. Por exemplo, eu perguntei para ele quanto custava o tomate. Ele olhou para o Samuel e deu a resposta. Uma tristeza muito grande tomou conta de mim, por ser tratada como invisível. 

Obviamente eles não vendiam bebidas alcoólicas. Então saímos caminhando atrás de um lugar onde vendesse. E mais olhares reprovadores apareceram para mim. Estava me dando vontade de chorar. Porém, assim que saímos do centro do bairro e fomos para uma rua movimentada que tinha vários bares e restaurantes eu me senti aliviada, pois voltei a ser apenas uma mulher livre que pode se vestir da maneira como achar melhor.

Compramos vinho e cerveja. Voltamos para casa e eu preparei uma peixada deliciosa, com brócolis, mandioquinha, tomate, grão de bico, cenoura e batata. Um arrozinho fresco acompanhou tudo. E depois de bem alimentados dormirmos profundamente, aproveitando o frio de aproximadamente 10 graus que fez na madrugada.

Acordamos tarde e passamos a manhã curtindo uma preguicinha. De tarde saímos para dar uma caminhada. O bairro boêmio de Bruxelas é lindo! Paramos em uma espécie de pub e tomamos cerveja belga e ficamos escutando várias músicas boas. Eu engatei uma conversa em francês com a moça do balcão e ela me ensinou mais algumas palavras que eu não conhecia. Se tem uma coisa que eu amo é aprender novas línguas! Samuel fica rindo da minha cara de pau, pois eu já digo logo para a pessoa que eu quero aprender e que se eu falar errado pode me corrigir. Como ele é muito tímido, acaba ficando caladão do meu lado, rindo das besteiras que eu digo.

Do pub saímos para dar uma caminhada. Passamos na estátua Manneken-Pis, um menininho que fica fazendo xixi. Um monte de gente estava tirando foto, mas eu, honestamente, não achei muita graça. Também tinha um quadradão com várias construções antigas mas também não ganhou meu coração. Uma rua enorme vendia chocolates, eu aproveitei para experimentar muitos. Comprei alguns deliciosos.

Paramos ainda em um outro barzinho, mas estava muito frio e resolvemos tomar cerveja no apartamento. Quando eu já tinha bebido alguns copos a mais, fui para a varanda e falei em alto e bom som (em português, inglês e francês) que é muito bom ser uma mulher livre, que não cubro o meu corpo para agradar a seu ninguém, e que Deus não quer que homem nenhum mande em mim. Não tive plateia, mas teve um homem que passou olhando e rindo. Fiz a minha parte.

Infelizmente estou indo embora sem dizer que a Bélgica é bacana. Fui recriminada, não achei a cidade de Bruxelas muito bonita e não estou com a menor vontade de voltar. Mas, para que eu pudesse ter essa experiência e essa visão, precisei vir aqui. Então, valeu. 

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Amsterdã é a melhor cidade do mundo. E o motivo um só: muita diversão garantida tomando todo o meu tempo. A capital holandesa é linda, pulsante, rica! 

Chegamos no começo da tarde e fomos direto para o hotel, que fica nos arredores da cidade. Bem bonitinho, mas sem grandes luxos. Uma coisa que eu aprendi é que realmente os hotéis europeus não tem o costume da coisa do “café da manhã incluído”. Geralmente é muito caro, valendo mais a pena comer em uma padaria ou lanchonete. 

Deixamos o carro no estacionamento e pegamos um ônibus do hotel que nos levava para a estação de trem que fica no aeroporto. De lá, seguimos para a estação central, onde o meu filhote nos esperava. Ele estava realmente muito ansioso para nos apresentar o que foi o seu mundo de diversão no último ano. 

Nem bem demos os primeiros passos e demos de cara com o museu do sexo. Nem pensamos duas vezes e já entramos lá. O ingresso de quatro euros foi um dos melhores investimentos que eu fiz em toda a viagem. O lugar é um barato! Várias obras de arte, fotos, história do sexo e muita coisa engraçada. Tirei um bocado de selfies, pena que não pude colocar todas no instagram. Fiquei impressionada ao saber que em 1890 já se tinha um vasto material de fotos pornográficas. E era muita coisa cabeluda! Nada de foto só de beijinho! Coisas bem explícitas, sexo grupal, sadomasoquismo, posições muito loucas! A galera já era bem saidinha! 

Ficamos bem umas duas horas lá dentro. E eu só saí porque o resto do grupo queria. Por mim, eu ficava lá mais um tempão, olhando foto por foto, os vários vídeos, e coisas antigas do sexo. Já me deu vontade de voltar ali para fazer pesquisa para um livro novo! 

Depois saímos caminhando na via principal. E sim, aquilo que dizem de Amsterdã é verdade: todo mundo fuma maconha no meio da rua. Não poderiam, pois a lei diz que é permitido fumar apenas em coffee shop, mas discretamente (ou não) as pessoas acendem o seu baseado e fumam tranquilamente. A cidade tem o cheiro da cannabis. 

Paramos para jantar em um restaurante argentino e por 11 euros matamos a saudade de um belo bife. Estava meio sem sal, é verdade (o meu é muito mais gostoso) mas deu para quebrar o galho. Vinha acompanhado de arroz ou batata frita. E fiquei feliz da vida pois a cerveja que eu pedi veio gelada. Aliás, beber Heineken na cidade da sua fábrica é uma coisa divina! 

Continuamos andando e vendo várias lojinhas de presentes. É engraçado pois as lembrancinhas são divididas em dois temas: tamancos e maconha. Então, todo presentinho que alguém trouxer de Amsterdã ou fará referência aos calçados famosos deles, ou ao baseadinho básico da galera. 

Caminhamos, caminhamos, caminhamos e chegamos na tão badalada Red Light (Luz Vermelha). Ela é uma rua, cortada por um canal (como quase toda a cidade), onde dos dois lados tudo (absolutamente tudo) faz referência a sexo. Museu da prostituição, casas de shows eróticos ao vivo, um sem número de lojas de artigos eróticos, e claro, as famosas janelas! As prostitutas ficam ali, sorrindo, chamando clientes, se exibindo. Enquanto isso, turistas curiosos do mundo inteiro passam vendo. Uns de olhos arregalados, outros rindo e um infinito de jovens rapazes entrando e saindo das cabines, pelo valor de 50 euros. Vi umas moças muito bonitas e outras moças muito feias. Vi vários biotipos. Vi transexuais. Mas não vi negras nem orientais. Detalhe importante: é proibido tirar fotos.

Depois, minha mãe e o Luiz sentaram para tomar um café e eu e Samuel entramos em um coffee shop que ficava em uma travessa. Mesmo que o Luiz quisesse entrar ele não poderia. Eles são muito criteriosos com esse lance de ser maior de idade para entrar em um. Da mesma forma que onde se vende maconha não se vende bebida alcoólica e vice-versa.

O coffee shop era a coisa mais gostosa do planeta. Do lado de dentro ficava um balcão onde se vende chá, café, essas bebidinhas chiques. E do outro lado do balcão um cardápio com vários tipos de maconha. Eles mesmos falavam que o preço deles era diferenciado (leia-se mais caro) por ser tudo orgânico, livro de agrotóxicos, sem venenos. Um cigarro de maconha já pronto para fumar custa em média 4 euros. Pedi um bem light. O Samuel ficou rindo da mais cara pois eu falei um milhão de vezes: o mais tranquilo, o mais suave, o mais soft, o mais de gente que é fraquinha. Minha mente de achar que isso tudo é errado não me deixou sentar e acender ali. Coloquei o cigarro na bolsa, me achando muito moderninha e pra frente, por comprar maconha legalmente. 

Minha mãe e meu filho ficaram meio decepcionados quando não me viram doidona. Eu falei tanto que fumaria tudo o que tinha direito na Holanda que quando eu voltei sóbria, fizeram piadas dizendo que eu sou “café com leite”. Já passava das dez da noite e ainda estava claro, como se fosse seis da tarde. Voltamos para o hotel e eu ainda não estava acreditando que tinha passado um dia inteiro em Amsterdã. 

Acordamos cedo e seguimos para a estação central. Compramos um passeio para um city tour de barco. Honestamente, eu não recomendo. O lado bom é que o guia turístico vai explicando como a cidade se formou, como ela cresceu e tal. Mas aquele balancinho do barco, com a voz baixa do cara, somados ao cansaço da viagem toda, foi me dando um soninho gostoso… E pelo que eu olhei, não foi só comigo, pois teve uma japonesa que dormiu de roncar, e uma italiana que tacou o óculos de sol na cara para disfarçar sua soneca. Treze euros que eu gostaria de ter investido em outras coisas. 

De tarde, eu e Samuel tiramos um tempinho só para nós dois. Primeiro passamos em um coffee shop chamado “The Bulldog”. Completamente diferente do primeiro que fomos, era um ambiente fechado, escuro, com uma música muito alta e muita fumaça de maconha. Da mesma forma, é proibido álcool e cigarro comum lá dentro. Sentamos e eu fui ao banheiro. Tirei algumas coisas da bolsa e acabei esquecendo a minha carteira lá, e nem me dei conta. Depois sentamo-nos em frente ao balcão e finalmente tive coragem de acender o meu baseado. Assim que o efeito começou (como eu comprei o mais light existente no planeta, a sensação foi bem fraquinha, gostosa e relaxante, como se eu tivesse acabado de meditar) quis sair daquele ambiente fechado e barulhento para caminhar pelas ruas lindas de Amsterdã. E só fui me dar conta que minha carteira não estava comigo quando já tínhamos andado umas três quadras, e uns 50 minutos se passado. 

Todo o relaxamento foi para o espaço! Ali dentro tinha o meu passaporte, minha carteira de habilitação, meu dinheiro… Entrei em desespero. Eu e Samuel saímos correndo feito loucos e eu pedindo para todos os santos que eu já ouvi falar para que milagrosamente ninguém tivesse sentido vontade de fazer xixi e entrado no banheiro. Com o coração saindo pela boca, entrei no The Bulldog e fui direto ao sanitário, e para o meu pânico completo minha carteira não estava lá! 

Senti meu corpo inteiro gelar! O cara que estava sentado ao meu lado permanecia ali e por desencargo de consciência perguntei se ele tinha visto a minha carteira. Nessa hora o inglês fluiu perfeito, o nervosismo me fez ficar mais fluente que a Rainha Elizabeth. E para nossa alegria, ele me reconheceu e disse que a atendente tinha guardado a minha carteira. Que alívio! E quando eu abri, nenhuma das minhas moedinhas tinha sido retirada de lá de dentro. 

Depois desse susto todo eu resolvi que tinha o direito de me divertir. Tomei um café, Samuel tomou uma cerveja, e voltamos a passear pela red light. Os shows eróticos eram todos muito caros, mais de 40 euros por pessoa. E então eu vi uma placa dizendo “cabine privada por dois euros”. Opa! Interessou. 

Fui até o balcão e perguntei para o cara “é um vídeo erótico, é como um filme?”. E não entendi o que ele me respondeu, cheio de sotaque. Então perguntei de novo “mas é tipo um filme?”. Ele bateu no balcão e disse gritando “LIVE” (ao vivo). E eu bati de volta no balcão e gritei para ele “SORRY” (desculpa) e saí rindo. Fomos então para a tal cabine. Ela consistia no seguinte: seis cabines em torno de uma cama redonda. Tem uma janela de vidro separando o público da dançarina. Cada um que entra em uma cabine coloca uma moeda de um euro para assistir um minuto. Uma mulher bem bonita fica dançando nua. Se você quiser assistir mais tempo, basta colocar mais moedas. Quando acaba o seu tempo, sua cabine fica escura e você não consegue ver mais nada. É uma coisa completamente voltada para o tesão masculino, bem visual. Pessoas com claustrofobia não aguentariam 10 segundos em uma daquelas cabines. Não posso dizer que fiquei excitada mas foi uma experiência interessante. 

Marcamos de reunir todo o grupo por volta das 8h30 da noite, pois as 9h iríamos para um karaokê que o Luiz gosta muito. Foi sensacional! No começo eu fiquei meio tímida, com medo de pagar mico cantando em inglês. Funciona assim, a cada cinco euros que você gasta no bar, pode cantar uma música. Perdi a vergonha na cara e cantei Dancing Queen do Abba! Foi muito maneiro! A plateia toda cantou comigo e eu me diverti a valer. 

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Bremen, 15 de junho de 2016

 

Tivemos dois dias incríveis em Bremen! Foi como se realmente eu tivesse sido colocada em um livro de contos de fadas, com todo mundo falando alemão. 

A cidade é a coisa mais linda do mundo! Sabe aquelas casinhas que a gente desenha no jardim de infância, com o telhado triangular, duas janelinhas com cortinhas e uma porta no meio? Aqui é exatamente assim! E o povo tirou toda a minha impressão que o alemão é fechado. Todo mundo sorridente e brincalhão. O idioma continou sendo uma dificuldade, eles falam ainda menos inglês que em Berlim, mas isso não foi impeditivo de nada, e as pessoas faziam questão de nos entender de alguma forma e aprendi várias palavras e frases e alemão que eles gentilmente me ensinaram, com muito boa vontade. 

A viagem de Laag Zuthem para Bremen durou mais ou menos umas três horas. Fizemos o check in no hotel por volta de duas da tarde. A antendente foi muito simpática, o quarto é confortável. Único ponto ruim é o wi-fi. Uma bosta! 

Largamos as malas, trocamos de roupa e saímos para o primeiro passeio na cidade. Estávamos mortos de fome, querendo comida de verdade, pois estávamos apenas comendo o delicioso pão com linguiça. Pertinho do hotel tinha um café e foi a primeira pausa. Para a nossa alegria as atendentes eram brasileiras. Elas ficaram super felizes de falar em português! Mas ali não servia almoço e elas nos falaram para ir ao centro da cidade, que certamente teria. 

Pegamos o carro e fomos. A cidade é linda demais! Tem um rio que a corta, por isso várias pontes deixam tudo muito romântico. Ali tem a fábrica da Mercedes Bens e da cerveja Becks (a melhor que tomei até agora, inclusive). Estacionamos onde tinha vários restaurantes e saímos caminhando. Encontramos um restaurante que parecia turco. E caracas, comi a comida mais gostosa de toda a viagem até o momento. Sabe aquele churrasco grego que tem em São Paulo? Então, tinha dois espetos daquele. Um com carne de frango e outro com carne de porco. Eu pedi o de porco. Ele colocava um molho de tomate em baixo de um pirex de porcelana branca. Aí em cima colocava muita carne, macarrão, bastante queijo e um molho branco. Pedimos a parte uma super salada, com repolho branco, repolho roxo, azeitona, queijo branco, cebola, tomate e molho de iogurte. Nossa Senhora!!!! Simplesmente divino! Chega à mesa ainda borbulhando e o tempero é sensacional. 

Caminhamos um pouquinho por ali para a fazer a digestão e tomarmos um cafezinho. Depois andamos mais um pouquinho pela cidade e paramos em um centro comercial com supermercado, lojas de roupa e uma sex shop. Fiquei impressionada com os preços baixos da sex shop e se eu tivesse com euros sobrando certamente faria uma feirinha para vender no Brasil. Quem sabe em uma próxima oportunidade? Claro que eu comprei umas coisinhas pra mim! (risos) 

Voltamos para o hotel por volta das oito da noite e o dia estava claro como se fosse três da tarde. Enquanto minha mãe e meu enteado resolveram ir dormir, eu e Samuel fomos andar pelo bairro. Percebemos que é uma área dos muçulmanos. Muitas mulheres de véu, o que me deixa muito triste com a submissão do sexo feminino em pleno ano de 2016, mas isso é assunto para outro post. 

No dia seguinte fomos tomar café da manhã em uma padaria. Meu filho me explicou que a Alemanha é famosa pela sua fabricação de pães e eu pude perceber o motivo. É tudo lindo, bem feito, caprichado. Com pouco dinheiro tomamos um café caprichado!

Saímos para passear e foi muito legal! A nossa primeira parada foi na Catedral de São Pedro. É uma igreja bem diferente de todas que eu já tinha ido. É uma mistura de decoração luterana, com católica e árabe. O teto é bem diferente, a decoração, tudo… Lá dentro tem um museu com peças de mais de 1500 anos. Dá um aperto no peito quando a gente chega perto dessas coisas assim, só de imaginar quanta história está ali impregnada, preservada. Embaixo da igreja tinha uma sala do silêncio, que deve ser uma experiência sensacional mas uma italiana sem noção tirou a minha graça pois chegou gritando e falando alto. Algumas pessoas fizeram um “shiiiiii” para ela, mas eu já fiquei logo brava e sai dali. Ou seja, tem gente sem noção no mundo todo. 

Andamos mais pelo centro da cidade e vimos várias esculturas. Tinha uma feira vendendo diversas frutas, legumes, queijos. Parecia cena de filme. Compramos cerejas, morangos, queijo. Me senti muito chique, andando pelas ruas alemãs, comendo cerejas e vendo esculturas. 

Em frente a prefeitura tem a estátua dos animais do conto dos Saltimbancos, dos irmãos Green, que na verdade chama-se “Os músicos de Bremen”. Diz a lenda que se a gente pega com as duas mãos nas pernas do porco e fizer um desejo ele se realiza. Fiz o meu! 

Ficamos o dia inteiro vendo as belezas de Bremen, tirando fotos e nos divertindo naquela bela cidade! 

Para fechar a noite, vivemos algo inesquecível! Uma sessão de jazz, nos porões da universidade de música, na terra dos músicos, no país que ama música! E meu enteado ainda deu uma canjinha no atabaque. 

Parece que estou vivendo um sonho.