TPL_IN
TPL_BY

Chegamos em Bruxelas, na Bélgica, no final da tarde. A princípio a cidade me pareceu pouco acolhedora. Muitos prédios, muitos carros e muita gente emburrada caminhando nas ruas.

Não foi difícil achar o apartamento que alugamos, mas ficamos na dúvida na hora de estacionar. Tinham algumas vagas disponíveis e não vimos nenhum parquímetro. Colocamos em uma vaga relativamente perto do apartamento. Depois descobrimos que tínhamos que colocar dois euros para poder ficar por um período de quatro horas.

Um belga nos recebeu e falou um inglês carregado no sotaque francês. Se teve uma coisa nessa viagem que eu aprendi foi a entender o inglês falado com vários sotaques diferentes. As minhas aulinhas do Fisk e as horas vendo filmes americanos sem legendas não são nada perto da riqueza de ter que conversar com gente do mundo todo, sem o inglês ser a língua nativa deles e nem a minha. Quando dizem que viagem é o único meio de a gente gastar dinheiro e ficar mais rico, acho que estão completamente certos.

O apartamento é uma gracinha. Todo decoradinho com carinho, cozinha completa, dois quartos, uma salinha fofa. Ah, tem uma coisa que venho achando muito interessante em todos os lugares que a gente se hospedou na Europa. O vaso sanitário e o chuveiro ficam em cômodos diferentes. Uma portinha para cada um e isso é ótimo! Assim, enquanto um toma banho, o outro pode usar o banheiro. Prático e eficiente.

Depois de colocarmos nossas malas e pagarmos a hospedagem, eu e Samuel descemos para comprar comida. Com a cozinha completa o melhor a fazer era cozinhar uma comidinha de verdade. Não vimos um supermercado grande, mas sim vários mercadinhos pequenos. Nas calçadas eles colocam expositores com frutas, legumes e verduras. E do lado de dentro, pequenas lojinhas com mantimentos, enlatados, produtos de limpeza… Dá para notar que os belgas não fazem compras de mês, e sim compras diárias.

Percebemos logo que era um bairro muçulmano pelo enorme número de mulheres de véu. Mais uma vez fiquei impressionada. Ou o booking só está indicando hospedarias em bairros muçulmanos ou eles estão realmente em maior número na Europa do que eu imaginava. E algo nem um pouco legal aconteceu. Eu estava vestindo um short e um casaco, além dos meus cabelos esvoaçantes e cacheados chamarem atenção, junto com meus enormes brincos de argola e minha boca com um batom bem vermelho. Vários homens me olhavam de maneira reprovadora, uns até balançavam a cabeça negativamente para mim. E não era nada discreto. Eles olhavam mesmo, reprovavam mesmo. No começo eu me senti constrangida de verdade. Mas depois de alguns minutos caminhando, pensei: estou em um país livre. Se eu tenho que aceitar as mulheres deles usando o véu, eles têm que aceitar as minhas pernas de fora.

No mercado, o rapaz do balcão nem falou comigo. Por mais que fosse eu quem perguntava os preços, pedia o que queria comprar e, por fim, eu que tirei o dinheiro do bolso para pagar as compras, no entanto, ele só se dirigiu ao meu marido. Por exemplo, eu perguntei para ele quanto custava o tomate. Ele olhou para o Samuel e deu a resposta. Uma tristeza muito grande tomou conta de mim, por ser tratada como invisível. 

Obviamente eles não vendiam bebidas alcoólicas. Então saímos caminhando atrás de um lugar onde vendesse. E mais olhares reprovadores apareceram para mim. Estava me dando vontade de chorar. Porém, assim que saímos do centro do bairro e fomos para uma rua movimentada que tinha vários bares e restaurantes eu me senti aliviada, pois voltei a ser apenas uma mulher livre que pode se vestir da maneira como achar melhor.

Compramos vinho e cerveja. Voltamos para casa e eu preparei uma peixada deliciosa, com brócolis, mandioquinha, tomate, grão de bico, cenoura e batata. Um arrozinho fresco acompanhou tudo. E depois de bem alimentados dormirmos profundamente, aproveitando o frio de aproximadamente 10 graus que fez na madrugada.

Acordamos tarde e passamos a manhã curtindo uma preguicinha. De tarde saímos para dar uma caminhada. O bairro boêmio de Bruxelas é lindo! Paramos em uma espécie de pub e tomamos cerveja belga e ficamos escutando várias músicas boas. Eu engatei uma conversa em francês com a moça do balcão e ela me ensinou mais algumas palavras que eu não conhecia. Se tem uma coisa que eu amo é aprender novas línguas! Samuel fica rindo da minha cara de pau, pois eu já digo logo para a pessoa que eu quero aprender e que se eu falar errado pode me corrigir. Como ele é muito tímido, acaba ficando caladão do meu lado, rindo das besteiras que eu digo.

Do pub saímos para dar uma caminhada. Passamos na estátua Manneken-Pis, um menininho que fica fazendo xixi. Um monte de gente estava tirando foto, mas eu, honestamente, não achei muita graça. Também tinha um quadradão com várias construções antigas mas também não ganhou meu coração. Uma rua enorme vendia chocolates, eu aproveitei para experimentar muitos. Comprei alguns deliciosos.

Paramos ainda em um outro barzinho, mas estava muito frio e resolvemos tomar cerveja no apartamento. Quando eu já tinha bebido alguns copos a mais, fui para a varanda e falei em alto e bom som (em português, inglês e francês) que é muito bom ser uma mulher livre, que não cubro o meu corpo para agradar a seu ninguém, e que Deus não quer que homem nenhum mande em mim. Não tive plateia, mas teve um homem que passou olhando e rindo. Fiz a minha parte.

Infelizmente estou indo embora sem dizer que a Bélgica é bacana. Fui recriminada, não achei a cidade de Bruxelas muito bonita e não estou com a menor vontade de voltar. Mas, para que eu pudesse ter essa experiência e essa visão, precisei vir aqui. Então, valeu. 

TPL_IN
TPL_BY

Bremen, 15 de junho de 2016

 

Tivemos dois dias incríveis em Bremen! Foi como se realmente eu tivesse sido colocada em um livro de contos de fadas, com todo mundo falando alemão. 

A cidade é a coisa mais linda do mundo! Sabe aquelas casinhas que a gente desenha no jardim de infância, com o telhado triangular, duas janelinhas com cortinhas e uma porta no meio? Aqui é exatamente assim! E o povo tirou toda a minha impressão que o alemão é fechado. Todo mundo sorridente e brincalhão. O idioma continou sendo uma dificuldade, eles falam ainda menos inglês que em Berlim, mas isso não foi impeditivo de nada, e as pessoas faziam questão de nos entender de alguma forma e aprendi várias palavras e frases e alemão que eles gentilmente me ensinaram, com muito boa vontade. 

A viagem de Laag Zuthem para Bremen durou mais ou menos umas três horas. Fizemos o check in no hotel por volta de duas da tarde. A antendente foi muito simpática, o quarto é confortável. Único ponto ruim é o wi-fi. Uma bosta! 

Largamos as malas, trocamos de roupa e saímos para o primeiro passeio na cidade. Estávamos mortos de fome, querendo comida de verdade, pois estávamos apenas comendo o delicioso pão com linguiça. Pertinho do hotel tinha um café e foi a primeira pausa. Para a nossa alegria as atendentes eram brasileiras. Elas ficaram super felizes de falar em português! Mas ali não servia almoço e elas nos falaram para ir ao centro da cidade, que certamente teria. 

Pegamos o carro e fomos. A cidade é linda demais! Tem um rio que a corta, por isso várias pontes deixam tudo muito romântico. Ali tem a fábrica da Mercedes Bens e da cerveja Becks (a melhor que tomei até agora, inclusive). Estacionamos onde tinha vários restaurantes e saímos caminhando. Encontramos um restaurante que parecia turco. E caracas, comi a comida mais gostosa de toda a viagem até o momento. Sabe aquele churrasco grego que tem em São Paulo? Então, tinha dois espetos daquele. Um com carne de frango e outro com carne de porco. Eu pedi o de porco. Ele colocava um molho de tomate em baixo de um pirex de porcelana branca. Aí em cima colocava muita carne, macarrão, bastante queijo e um molho branco. Pedimos a parte uma super salada, com repolho branco, repolho roxo, azeitona, queijo branco, cebola, tomate e molho de iogurte. Nossa Senhora!!!! Simplesmente divino! Chega à mesa ainda borbulhando e o tempero é sensacional. 

Caminhamos um pouquinho por ali para a fazer a digestão e tomarmos um cafezinho. Depois andamos mais um pouquinho pela cidade e paramos em um centro comercial com supermercado, lojas de roupa e uma sex shop. Fiquei impressionada com os preços baixos da sex shop e se eu tivesse com euros sobrando certamente faria uma feirinha para vender no Brasil. Quem sabe em uma próxima oportunidade? Claro que eu comprei umas coisinhas pra mim! (risos) 

Voltamos para o hotel por volta das oito da noite e o dia estava claro como se fosse três da tarde. Enquanto minha mãe e meu enteado resolveram ir dormir, eu e Samuel fomos andar pelo bairro. Percebemos que é uma área dos muçulmanos. Muitas mulheres de véu, o que me deixa muito triste com a submissão do sexo feminino em pleno ano de 2016, mas isso é assunto para outro post. 

No dia seguinte fomos tomar café da manhã em uma padaria. Meu filho me explicou que a Alemanha é famosa pela sua fabricação de pães e eu pude perceber o motivo. É tudo lindo, bem feito, caprichado. Com pouco dinheiro tomamos um café caprichado!

Saímos para passear e foi muito legal! A nossa primeira parada foi na Catedral de São Pedro. É uma igreja bem diferente de todas que eu já tinha ido. É uma mistura de decoração luterana, com católica e árabe. O teto é bem diferente, a decoração, tudo… Lá dentro tem um museu com peças de mais de 1500 anos. Dá um aperto no peito quando a gente chega perto dessas coisas assim, só de imaginar quanta história está ali impregnada, preservada. Embaixo da igreja tinha uma sala do silêncio, que deve ser uma experiência sensacional mas uma italiana sem noção tirou a minha graça pois chegou gritando e falando alto. Algumas pessoas fizeram um “shiiiiii” para ela, mas eu já fiquei logo brava e sai dali. Ou seja, tem gente sem noção no mundo todo. 

Andamos mais pelo centro da cidade e vimos várias esculturas. Tinha uma feira vendendo diversas frutas, legumes, queijos. Parecia cena de filme. Compramos cerejas, morangos, queijo. Me senti muito chique, andando pelas ruas alemãs, comendo cerejas e vendo esculturas. 

Em frente a prefeitura tem a estátua dos animais do conto dos Saltimbancos, dos irmãos Green, que na verdade chama-se “Os músicos de Bremen”. Diz a lenda que se a gente pega com as duas mãos nas pernas do porco e fizer um desejo ele se realiza. Fiz o meu! 

Ficamos o dia inteiro vendo as belezas de Bremen, tirando fotos e nos divertindo naquela bela cidade! 

Para fechar a noite, vivemos algo inesquecível! Uma sessão de jazz, nos porões da universidade de música, na terra dos músicos, no país que ama música! E meu enteado ainda deu uma canjinha no atabaque. 

Parece que estou vivendo um sonho. 

TPL_IN
TPL_BY

Ontem eu conheci o lugar mais magnífico que eu poderia imaginar em toda a minha vida. Foi como se tivessem tirado a minha alma e me levado para uma outra dimensão. Até agora estou me perguntando se aconteceu de verdade ou se é tudo imaginação da minha cabeça.

.

Fomos a um castelo medieval de verdade! O Castelo de Praga é um local que todas as pessoas no mundo deveriam conhecer, um ponto obrigatório na vida, como beber água ou fazer xixi. É deslumbrante, enriquecedor e esclarecedor.

Passamos o dia inteiro nele. O primeiro passeio é ao lado do castelo, em uma espécie de jardim botânico. Os reis faziam questão de trazer árvores e plantas de diversos lugares do mundo para demonstrarem o quanto de dinheiro seu reino possuía. Caracas! É de encher os olhos. E o local é muito lindo, tão lindo, mas tão lindo que se a gente ficasse só ali passeando entre as plantas o dia todo, a viagem inteirinha já teria valido a pena.

Depois vamos para o castelo propriamente dito. Funciona assim: existem lugares do castelo que são gratuitos, e lá dentro são dois trechos, um mais barato curto e um mais longo e caro. O maior pode ser feito em dois dias. Como nós não teríamos tempo de conhecer tudo e a programação de hoje tem vários museus, resolvemos fazer o menor. Além dos tíquetes que custaram 250 coroas tchecas, ainda paguei 50 coroas para ter a permissão de tirar fotos.

A primeira parte era a catedral do castelo. Eu nunca tinha visto nada tão bonito e grande ao mesmo tempo. Muitas pinturas no teto, vitrais, estátuas… Uma pessoa que entendesse de história da arte ali ficaria enlouquecida. Confesso que me deu uma agoniazinha quando passamos pelos túmulos. Eu sou uma medrosa assumida! Falando em túmulo, o que mais atraía fotógrafos e curiosos era o de São Nicolau.

Vimos o local onde aconteciam aqueles banquetes e festas. Fiquei me imaginando em um filme, usando aqueles vestidões enormes e bebendo em taças de prata. Em uma saletinha ao lado tinha o trono do Rei. Imagino que ali ele escolhia quem ia degolar e qual o próximo reino que ele queria invadir. E em outra sala anexa, uma pequena biblioteca com livros enormes.

Tinha o quarto do alquimista que parecia muito com a sala do Professor Snape, do Harry Potter. Cheio de tubos de ensaios e garrafas de vidro em formatos curiosos. A cama era pequena e larga, e meu marido ficou me zoando dizendo que eu poderia ser a alquimista pois cabia na cama (dramas de mulher baixinha).

Um momento muito legal foi quando atiramos com uma “besta”. É uma espécie de arco e flecha, mas daqueles de verdade, que os arqueiros usavam para proteger o castelo. Cada um poderia dar três tiros, e eu incrivelmente errei todos! (Ainda bem que eu era a alquimista…) Pelo visto o nosso guardião seria o Luiz pois foi o que fez mais pontos.

Meu marido me deu um lápis com um cristal swarovisk na ponta! Me achei a rainha da nobreza da República Tcheca! Chupa, mundo!

Passamos pela viela onde moravam a pequena burguesia, em suas casinhas minúsculas e uma ao lado da outra, destoando completamente do palácio enorme e espaçoso, onde os nobres ficavam.

Vimos uma exposição de armaduras e espadas. Uma loucura imaginar que eles conseguiam andar, lutar e correr carregando aquele peso todos. Deveriam ser incrivelmente fortes.

O mais impressionante era saber que aquilo tudo ali era de verdade, existiu mesmo e faz parte da nossa história. Aquilo que aprendemos nas aulas de história, vemos nos livros e filmes, toma forma e ficamos assim, boquiabertos, pensando em como o ser humano é grande na sua formação e pequeno na criação do todo.

TPL_IN
TPL_BY

Antes de ontem passeamos pelas ruas e calçadas de Praga. Conheço várias cidades do mundo, em três continentes. E posso dizer, sem sombra de dúvidas, que a capital da República Tcheca é a cidade mais linda e simpática que já conheci em toda a minha vida!

Começamos o dia tomando um café da manhã reforçado em casa. Eu me senti muito “master chef” usando um fogão tcheco para fazer ovos mexidos. Eles usam fogões elétricos (acho que só no Brasil que a gente usa o a gás), e apanhei um pouco para entender como funcionava o exaustor. Mas, no final das contas tudo deu certo. Meu filho foi no mercado e comprou sonhos (são recheados com geleia de damasco e não com creme), queijo, presunto e um bolo de chocolate. Se tem uma coisa que eu fiquei morrendo de vontade de ter na minha casa foi a chaleira elétrica deles.



Lá pelas 10 horas saímos de casa e fomos ao Museu do Comunismo. Foi a única decepção que eu tive em Praga. O ingresso foi o quase o mesmo valor do que pagamos no Castelo de Praga (cento e noventa coronas por pessoa) para não ver nada de bom. O museu está bem detonado, as informações desatualizadas e, se você não falar inglês, não terá como aproveitar nada. Minha mãe ficou boiando, tadinha. E o valor é tão mais alto do que ele oferece, que em menos de uma hora vemos tudo o que temos que ver. Não vale a pena. Mas, como diz o meu enteado, se a gente não tivesse ido não teria como saber.



Depois ficamos batendo perna pelo centro e vi que existem várias opções de shows, balés, peças de teatro, óperas… Praga é uma cidade absurdamente rica em cultura, o que me enlouqueceu. Já planejo uma outra viagem para essa cidade maravilhosa, onde eu possa ficar pelo menos uns 10 dias aproveitando tudo o que ela oferece.



Almoçamos em um restaurante bem no centro da cidade, onde as mesas ficam do lado de fora e os garçons são muito solícitos. (Quando eu estava caminhando para o restaurante passei por dois rapazes ingleses que estavam sentados em um banquinho da praça, tomando cerveja. Um deles terminou de beber e colocou a lata no chão, na mesma hora saiu o segurança da loja atrás e deu um berro para que eles jogassem no lixo. Muitas palmas para o segurança!)



De tarde saímos para bater mais perna. Fomos até uma ponte (que eu idiotamente não anotei o nome) que dá a vista completa do Castelo de Praga. Lá tem o rio Vltava, que ao seu redor tem restaurantes, cafés e bares. Muitas lojinhas alugam pedalinhos e caiaques. Eu, minha mãe, Samuel e Luiz alugamos um para nós quatro. Que coisa mais deliciosa do mundo! Por uma hora ficamos pedalando, pegando um solzinho, curtindo a vida. Confesso que volta e meia passava pela minha cabeça: “Meu Deus, que loucura! Estou andando de pedalinho em Praga, com minha mãe, meu filho e meu marido. Eu não poderia ser uma pessoa mais abençoada”.



Depois que saímos do pedalinho, fizemos um programa completamente europeu. Ficamos sentados na grama, no parque, pegando um sol, tomando uma cerveja e aproveitando a vida. Relaxante! Chique! Delicioso!

No final da tarde completamos a caminhada pela ponte e era turista para todo lado! Gente do mundo todo admirando as belezas desse lugar que, segundo Kafka, "Praga não deixa a gente ir embora, esta velha tem garras". A vista do Castelo com o sol se pondo é algo para ficar registrado por toda a vida na minha cabeça. Juro que nunca cheguei nem perto de ver algo tão lindo.



Às 8 horas da noite eu realizei um dos maiores sonhos da minha vida! Nós assistimos a um concerto na Igreja de São Francisco. Eu não sou capaz de retratar com fidelidade o que senti. Foram os 17 euros melhores empregados em toda a minha existência.  Um tenor, uma soprano, um órgão, uma Igreja linda e antiga, e as pessoas que eu mais amo no mundo ao meu lado. Acho que nem preciso falar mais nada…

Saímos dali nas nuvens.

De noite passeamos pela praça da cidade antiga, onde fica o famoso relógio astrológico. De hora em hora a imagem de Cristo e seus doze apóstolos gira por uma portinhola, e as pessoas se juntam para assistir. Vimos ainda lindos prédios, esculturas, gente bonita e alegre, e a vida pulsando em nossas veias. As garras de Praga já agarraram meu coração.

Ontem, acordamos bem cedinho e pegamos a estrada de volta para a Holanda. Passamos o dia na estrada, e meus pensamentos ficaram durante toda o percurso em Praga. Ir embora dali é uma coisa muito difícil.

 

 

 

 

 

TPL_IN
TPL_BY

Saímos de Berlim logo cedo e pegamos o carro rumo a Praga. Vivemos uma pequena aventura que eu chamei de o “terrível dia em que não encontrávamos nunca um posto de gasolina”. O carro me avisando freneticamente que o combustível estava acabando e nada de a gente encontrar os postos que o GPS nos avisava. Foi o primeiro estresse de verdade que passamos desde que chegamos aqui.

Mas, finalmente conseguimos encontrar um já na saída da cidade. Aproveitei para descer na lojinha de conveniência e comprei uma espécie de almôndega, que servem com um pão, bem gostoso. O café em Berlim é muito caro. Não encontrei nenhum lugar que custasse menos de dois euros e cinquenta. Deve ter em outros lugares menos turísticos, mas infelizmente não tive tempo de descobrir.

Seguimos na estrada rumo à República Tcheca. Mais uma vez fiquei impressionada com a mudança que acontece nas estradas e na paisagem assim que atravessamos a fronteira. E, obviamente, nas placas. Me deu muita agonia porque eu não entendia absolutamente nenhuma palavra em canto nenhum, e não existia nenhuma referência em inglês. Fiquei pensando “se esse povo for tão bravo como o povo alemão, vou tomar mais uma meia dúzia de foras por aqui”.

Mas, para minha surpresa, assim que paramos em uma lojinha de conveniência para esticar as pernas depois de 4 horas de viagem (uma viagem deliciosa, divertida e que passou muito rápido) e usar o banheiro, minha mãe e meu enteado perguntaram para a atendente (na mímica) e ela foi de uma simpatia única! Mostrou onde era o banheiro e nos ensinou como ele se chamava (a palavra parece muito com “toalete”, facilitando a nossa vida), nos ensinou como usar a máquina de café e nos deu muitos sorrisos.

Seguimos para a casa que alugamos em Praga, mas o passeio por dentro do país até chegar lá é deslumbrante. Uma paisagem maravilhosa, casinhas lindas, rios, castelos… Fiquei de boca aberta, tirando um milhão de fotos e filmando tudo.

Por fim, chegamos no nosso destino. A dona da casa é uma senhorinha muito legal. Não fala uma palavra de inglês, mas não tirava o sorriso do rosto, se esforçou para nos ensinar tudo e, no seu tcheco misturado com o nosso português, conseguimos entender onde pegar ônibus, onde pegar metrô e onde tinha um mercadinho. A casa é uma gracinha, muito bem mobiliada e dá vontade de ficar muito mais que três dias, que foi a nossa reserva.

Fomos ao mercadinho comprar coisas para lancharmos, cerveja, tira-gosto, essas coisas. Aqui não se usa o euro e sim a Coroa Tcheca, mas no mercadinho o atendente recebeu nossos euros e nos deu o troco na moeda local. Aliás, a moeda local dá um capítulo à parte. Ela tem notas de valor enorme, tipo 1000, 500. E tem umas moedas que valem 50, 20. As coisas têm um valor nominal muito alto, e eu to feliz da vida, pois de acordo com o meu marido nossa moeda vale mais. Assim, baratearam um pouco os preços absurdos que a gente vinha gastando na Alemanha.

Já eram umas cinco horas da tarde. Pegamos um táxi e seguimos para o centro da cidade. O taxista falava inglês fluentemente e era lindo! Mas lindo mesmo, do tipo modelo de capa de revista. Ele foi extremamente simpático com a gente, nos deu altas de dicas de onde comer, onde sair para tomar um chopp e onde trocar o nosso dinheiro.

Chegamos e nos deparamos com o centro de cidade mais bonito que eu já vi em toda a minha vida. Parece uma cidade antiga, e é bem cuidada, limpa, organizada. Foi a maior concentração de gente bonita por metro quadrado que eu já presenciei em toda a minha existência!

Rodamos por todo o centro. Várias lojas de orientais vendem produtos derivados da maconha, como pirulitos, balas, chocolates e até temperos para carne. Nessas mesmas lojas vendem cervejas (finalmente elas estão geladas!) e cigarros.

Paramos em um pub muito legal! A atendente deu em cima do meu marido o que o fez ficar com a auto estima encostando no céu, pois ela era linda (assim como o resto de todo mundo que estava ali dentro). Na mesa ao lado uns 20 caras comemoravam a despedida de solteiro de um deles, e tentaram puxar papo comigo e com a minha mãe, mas é quase impossível conversar nessa língua.

Eu bebi uma sangria deliciosa, e depois um drink com proseco. Minha mãe e o Samuel beberam cervejas geladas. Pedimos um frango super apimentado, com vegetais e um molho de queijo. Tudo delicioso!

No final, voltamos de metrô. A viagem foi rápida, barata e confortável. O trem é limpo, seguro. As portas não se abrem automaticamente, temos que apertar um botão. E se eu não visse alguém o fazendo ia ficar na frente da porta o resto da minha vida, pois nunca desconfiaria.

Estou impressionada com a beleza e a simpatia desse povo.